Thursday, August 01, 2013

Ego Trip (da série Se Precisar Conto Outra Vez)


Trip é “viagem” é inglês.
Ego Trip é VIAGEM DO EGO.
Olhe só como o mundo é grande!
Entre os 7ilhões de pessoas do mundo, uma houve que pensou algo de surpreendente mesmo.
Colocou agência de turismo para LEVANTAR O EGO das pessoas em viagens muito caras. Não era “durismo”, viagens dos duros, de jeito nenhum, destas só participavam os médio-altos, os ricos e os muito ricos. Os separadores eram os valores cobrados: hotéis de cinco a 12 mil dólares a diária, passagens de trem a 1.200 dólares/dia e outras vantagens dos que têm vantagens.
Ele oferecia o levantamento do ego.
Até a estratosfera, literalmente, porque incluía (para quem pudesse pagar) viagem além da atmosfera, ao espaço exterior, ao custo de 20 milhões de dólares; e árvore genealógica, gênio-alógica, porque depois dela você se tornava parente dos super-heróis, filho de semideuses e de deuses. Tudo devidamente atestado, com firma reconhecida; é evidente que os SH, os SD e os D levavam o deles, ninguém trabalha de graça.
Consulta a psicólogos contratados que faziam a pessoa subir os degraus da fome de fama, de poder, de riqueza, de tudo que os ricos associam a “bom”. Eles enchiam mesmo a bola do fulano. A pessoa participava de “esportes radicais” guiados e amparados pelos melhores, ia ao fundo do mar, participava das reuniões da Trilateral (como ouvinte), da maçonaria, da Rosa-cruz, dos templários, dos Illuminatti, do Grupo Bilderberger, de tudo que fosse oculto, inclusive da KKK dos pobres (tudo simbólico, claro).
Não era nada simples, nem barato.
Também, eles e elas não eram simples, nem baratos. Só para começar tinham as maiores riquezas do mundo e estavam comprando felicidade para si e suas famílias, pois os assessores se ocupavam de reprogramar toda ela, desde os gastos até o que esperar da socioeconomia, dos equilíbrios psicológicos aos hormonais, do que era in e do que era out em termos de música e vestuário aos shows e gurus.
Enfim, era uma lavagem na alma, ela ficava branquinha, branquinha, equilibrada do TAO a Osho, de Buda aos monoteísmos.
A procura era enorme, havia tantos desequilibrados na classe!
Eles abriram filiais em todos os países, mas mesmo assim não davam conta, a procura era intensa, até porque a classe média, sempre imodesta, começou a exigir consórcios de 600 meses.


Serra, segunda-feira, 09 de abril de 2012.

José Augusto Gava.

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