Soterramento
Como já vimos em Esmagamento, a sensação de incompletude é um grande corrosivo de
nossas almas: não que Deus queira, pelo contrário, mas é que estar na Natureza
é ser assim, insubsistente, não-duradouro, inacabado, intérmino,
permanentemente insatisfeito.
Para os ateus seria até pior se eles não
afastassem o incômodo com uma penada só, condenando-o ao “não-sabido”, à
pseudo-rede de sucessões causefeitos materiais-energéticos: um dia a explicação
será sabida, com tempo não-finito e outras doideiras que adotamos mais para
frente “chegamos lá”, substituição de Deus consistente por tempo indeterminado
não-consistente.
Para os crentes, pelo contrário, tudo é
atribuído ao inominável, ao oculto, a Deus – Deus tudo sabe, tudo vê, tudo
provê, está no comando, etc.
COPIADO
DE ‘DEUS DE’
(e modificado)
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DEUS, AMOR, FAZ SOBREVIVER. CONSISTENTE E SUBSISTENTE.
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ESSÊNCIA, É.
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Filmes românticos, comédias, musicais, as
coisas de quando as pessoas sentiam as maravilhas do universo.
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Família romântica: doce (mas não edulcorado,
não excessivamente doce, não meloso), agradável, infantil, juvenil,
respeitador.
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DE CIMA PARA BAIXO, SEM INTENÇÃO,
ESMAGAMENTO.
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Fosso intransponível, inultrapassável – os
racionais todos em todos os mundos sentem-se incompletos, fracionados, pepengas,
capengas, faltos de uma perna, são sacis tentando ser engraçados.
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NATUREZA, ÓDIO,
LUTA, CONDUZ À EXTINÇÃO. INSUBSISTENTE E INCONSISTENTE.
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EXISTE.
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Filmes de vampiros, lobisomens, zumbis,
frankensteins, múmias, bruxas, feiticeiros, tudo que prospera no tempo da
descrença.
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Bando violento, cruel: conflitos, matanças,
veneração da morte e do instinto da morte, louvores aos roubos e furtos,
estupros, desengano.
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EM BAIXO,
SOTERRAMENTO PELAS INTENÇÕES MALSÃS DOS RACIONAIS.
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Em baixo estão todas as implicâncias,
inclusive a falsa ideia de que há egoísmo, a super-afirmação do ego (de fato,
algo há, reclamei muito disso, mas não é esse exagero todo, como já mostrei).
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DE CIMA PARA BAIXO, SEM INTENÇÃO,
ESMAGAMENTO.
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Fosso intransponível, inultrapassável – os
racionais todos em todos os mundos sentem-se incompletos, fracionados,
pepengas, capengas, faltos de uma perna, são sacis tentando ser engraçados.
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EM BAIXO,
SOTERRAMENTO PELAS INTENÇÕES MALSÃS DOS RACIONAIS.
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Já temos essa incrível sensação de não compreendermos
(ela é inacreditável naquele sentido de que quando compreendemos algo, por
exemplo, o funcionamento de fechadura, esse conhecimento é completo), o
ESMAGAMENTO; e de baixo mais para baixo ainda, insistem em nos diminuir todo o
tempo, é inaceitável, o SOTERRRAMENTO insistente.
Estão sempre nos abatendo.
É enlouquecedor.
ELE É MEU IRMÃO (mas frequentemente
esqueço disso) – cantam The Hollies.
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He Ain't Heavy, He's My Brother
The road is long
With many winding turns
That leads us to
Who knows where, who knows where
But I'm strong
Strong enough to carry him
He ain't heavy, he's my brother
So on we go
His welfare is my concern
No burden is he to bear
We'll get there
For I know
He would not encumber me, oh no
He ain't heavy, he's my brother
If I'm laden at all
Then I'm laden with sadness
That everyone's heart
Isn't filled with gladness
Or love for one another
It's a long, long road
From which there is no return
While we're on the way to there
Why not share?
And the load
Doesn't weigh me down at all
He ain't heavy, he's my brother
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Ele não é um fardo, ele é meu irmão
A estrada é longa
Com muitas voltas sinuosas
Isso nos conduz a quem sabe onde
Quem sabe onde
Mas eu sou forte
Forte bastante para carrega-lo
Ele não é um fardo, ele é meu irmão
Assim nós vamos
O bem-estar dele é a minha preocupação
Ele não é nenhum fardo para agüentar
Nós chegaremos lá
Porque eu sei
Ele não me embaraçaria
Ele não é um fardo, ele é meu irmão
Se eu estou carregando tudo
Eu estou carregando com tristeza
Pois todos os corações
Não estão cheios com a alegria
Do amor de um para com o outro
É uma estrada longa, longa
Da qual não há nenhum retorno
Enquanto nós estamos a caminho de lá
Por que não dividimos?
E a carga
Não me pesa absolutamente nada
Ele não é um fardo, ele é meu irmão
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Afogamento, falta de ar.
Serra, 23 de dezembro de 2015.
GAVA.
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