Sunday, September 29, 2013

Capitão Soleil (da série Já que Conto)

Capitão Soleil

Esse cara é fã dos franceses.
Queijos, franceses.
Cidade mais bela do mundo, Paris, capital da França.
Vinhos, franceses; tinha uma enciclopédia de vinhos para provar, mostrava tudo, discorria longamente, no começo era bom.
Cidades praianas, melhores balneários do mundo, claro, no mediterrâneo francês.
Moda, obviamente francesa.
Elegância das mulheres, a das francesas.
Literatura adivinhe só.
Enfim, França de cabo a rabo, de norte a sul, de leste a oeste.
A BELEZA DA FRANÇA (significando muito trabalho, dizia ele, pois os franceses – todos os povos que amalgamaram desde vários milênios antes de Cristo e até agora – transformaram seus milhares de quilômetros quadrados em belas paisagens psicológicas) – o nome da variedade boa é inventividade. País pequeno, mas muito produtivo.

De fato, era mesmo, quem poderia negar uma evidência dessas? Tinha cometido erros, mas o saldo era bem positivo.
Mas, sabe aquilo que é muito pisado?
Nós sabemos do ciclo dialético que um dia muda para o contrário, nós conhecemos as leis da dialética (eu até trabalhei nelas e acrescentei às de Hegel-Engels e à de Trotsky dois corolários, formando seis, depois um centro), percebemos nitidamente que vai mudar para o contrário.
A DIALÉTICA-LÓGICA, DIALÓGICA, É O TAO = EQUILÍBRIO
Prateoria da subjetividade do sofrimento ou O Espicurismo que é bom.

Pela lógica ele deveria primeiro ir enjoado até virar do contra, mas de repente ele mudou para os coletores solares, tanto os termocoletores quanto os fotocoletores.
FOTERMOCOLETORES
FOTOCOLETORES
TERMOCOLETORES
de luz-eletricidade
de calor

Mudou, assim, sem mais nem menos.
Ficou um ano sumido e voltou totalmente convertido ao Sol, às dádivas do Sol, depois de ter ido visitar o Egito. Conversão Paulina, vou te contar, foi assustador. Não deixou de gostar da França, mas não falava mais, não era por ódio nem despeito, estava no coração dele, era um francês nascido no Brasil.
Bom, agora só falava do Sol, de como o Sol proporcionava quase todas as energias que a Terra usava (físico-química, biologia-p.2, psicologia-p.30). Sabia TUDO de Sol, escreveu um livro. Você leu? Astro. Assim, uma palavra só, uma palavra Sol. Dava palestras, ia às escolas gratuitamente.
Como era adepto dos franceses e da língua francesa (que sonoridades!, dizia), o pessoal passou de gozação a chamá-lo de Capitão Soleil, Capitão Sol, mistura de português e francês. Pensa que ele detestou? De jeito nenhum, colocou firma com esse nome, fez sucessão, puta merda.
Tem gente que nasce virada.
Serra, sexta-feira, 26 de outubro de 2012.
José Augusto Gava.

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