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Sunday, September 01, 2013

Céu Brasileiro (da série Ah Se Eu Te Conto)

Céu Brasileiro

Como não há base para raciocinar e ninguém voltou de lá para contar as pessoas se recusam a pensar no Céu. Contudo, podemos pegar a deixa de Hermes Trimegisto, que disse: “o que está em cima é como o que está em baixo”. Então, deve haver certa semelhança entre a Terra que vemos em baixo e o Céu que não vemos em cima.
Até faz sentido, porque seria o cúmulo do absurdo colocar um amazonense no Céu dos cearenses, não por conta da inimizade, claro que não, são todos irmãos, mas por conta das paisagens.
AMAZONAS E CEARÁ NA TERRA
IGARAPÉ NO AMAZONAS
CERRADO NO CEARÁ
muita água
muito seco

Assim também os vastos campos rio-grandenses do sul - os pampas livres - misturados com as áreas de matas fechadas, o pessoal iria estranhar demais.
PAMPAS GAÚCHOS E MATAS CERRADAS
CAMPOS DO SUL
MATAS VIRGENS
muito livre
muito entrançado

E um africano do Saara chegando às neves dos altos das montanhas suíças? Total desconcertamento.
SUIÇA E SAARA NA TERRA
MONTANHAS NA SUIÇA
DESERTO DO SAARA
muita neve
muita areia

Como conciliar?
A menos que se convoquem os japoneses para criar ondas em ambientes fechados, com sol artificial de rachar, enquanto do lado de fora neva...
Fica difícil, compreende?
De forma que, NA MINHA MODESTA OPINIÃO, o Céu deve ser mais ou menos parecido com a Terra, com a diferença de a gente ser prontamente atendida nos bancos, os produtos vendidos como sendo da roça e sem agrotóxicos de fato serem puros, as vacinas não terem datas de validade vencidas, não haver sonegação, o SUS-Céu funcionar e assim por diante, que Deus não iria dar mancada, o resto deve ser muito parecido EM TERMOS DE PAISAGENS.
Para resumir, estou começando a acreditar que o mapa é o mesmo da Terra. Por exemplo, quem já viveu em Maragogi ou em Porto de Galinhas nas piscinas naturais ou em Pulau ou em Tuvalu ou no Taiti ou no Havaí ou em qualquer dessas ilhas paradisíacas iria querer outro desenho? Dificilmente, meu chapa, direitos adquiridos. Ou de outra forma o Tribunal do Céu iria se encher de ações de restauração de privilégios.
PULAU, TUVALU, TAITI
PULAU
TUVALU
TAITI

Deus tudo pode, então pode ser que essa gente vá desistir, mas é difícil de acreditar.
Serra, terça-feira, 11 de dezembro de 2012.
José Augusto Gava.

Thursday, June 13, 2013

Diálogo Interplanetário II (da série Conto Tudo Novo)


TERRA – Marte, ei, Marte.
MARTE (aborrecidíssimo) – Outra vez! Você vive me chamando. Parece que foi ontem.
TERRA (mulher sempre tem melhor memória) – 15 mil ciclos em volta do Velho.
MARTE (mais aborrecido ainda) – Pois é, é o que estou dizendo, foi ontem mesmo, você não tem mais o quê fazer?
TERRA – a coceira ficou pior.
MARTE (brusco) – e eu com isso? Conversa com essa sua filha estéril aí.
TERRA (cortante) – não fala assim, magoa a menina.
LUA (bocejando) – Mãe, me deixe dormir.
TERRA – vai pro quarto minguante ou pro quarto crescente, querida. Marte, o que eu faço?
MARTE – sei lá, eu não tenho disso, me livrei dos meus faz bastante tempo. Fala com a Vênus.
TERRA – Ela é muito esquisita, só vive oculta naqueles véus, parece uma odalisca, coisa mais brega.
VÊNUS (dura) – ouvi isso, tá? Se duvidar, mando um bizú para o Coroa e vocês vão ver, sou o xodozinho dele, não sou (fora Mercúrio, o entregador)?
TERRA – você fala da Lua e nem teve filhos, pegou emprestado uns pivetes, uns nanicos, não sei, não, se você não é estéril.
MARTE – não implica, não.
JÚPITER – que é que tá havendo aí?
TERRA – aquela coceira minha aumentou, começou com pouquinho e agora minha pele tá toda ferida, eles viraram bilhões.
SATURNO – é a Terra de novo? Ela só vive reclamando, falta do que fazer. Já dizia mamãe: cabeça desocupada, oficina de Satanás.
JÚPITER – Saturno, cala a boca, fica frio, cara. O que é, maninha?
SATURNO – você protege demais a ela, não tem esse monte de filhos pra cuidar?
JÚPITER – não enche, senão te pego. Mana, cê quer que eu pegue o Cinturão de papai e jogue umas pedras aí?
TERRA (assustada) – NÃO! Vou pegar febre e depois ficar batendo o queixo, igual aconteceu de 115 a 15 mil ciclos, depois fiquei pingando mil ciclos, foi horrível. E nem porisso curou, os bichinhos multiplicaram mais ainda depois.
NETUNO (se metendo onde não foi chamado) – A Terra é muito mimada, esses caçulas são protegidinhos de Papai.
URANO – é verdade, é o que eu penso também.
PLUTÃO – ei, que está acontecendo? Estou muito longe, ninguém me conta nada.
NETUNO – Plutão, bico calado, você nem é mais planeta, é satélite de Papai, caso extraconjugal dele, deixa Mamãe saber.
URANO (debochando) – Satélite, satélite, satélite.
PLUTÃO E CARONTE (juntos) – Júpiter!
JÚPITER – assim não dá, assim não dá, que bate boca de merda.
VÊNUS – olha as crianças. Mercúrio está ouvindo e vai entregar tudo pra Papai.
MERCÚRIO – o que foi?
TERRA E MARTE – nada, ó embevecido, vira pra lá.
Mercúrio se vira, fala alguma coisa.
SOL – que foi, crianças?
JÚPITER E SATURNO – ih, melou. Nada pai, a juventude tá conversando.
SOL – ah, tá bom.
TERRA – gente, se Papai se aborrecer e lançar um flare, vai queimar a gente todinha, inclusive vocês aí de fora.
JÚPITER – filhinha, dá uma sacudida, um tremor de Terra, uma balançada, será que não resolve? E vocês dois aí de fora, seus hippies velhos, vão cuidar da filharada e parem de implicar com os filhos de Papai fora do casamento, tá aparecendo um monte, só eu já conheço uns 10 – Sedna, etc.
TERRA – pode ser uma ideia, também pensei num supervulcão, mas vai me desarrumar toda.
SATURNO – não sei por quê você dá tanta atenção a ela.
JÚPITER (parando para se acalmar) – Saturno, meu camaradinha, você não tem compaixão? Vá-te catar, seu peloto de cocô, você fica usando esse monte de anéis, já tô desconfiado de você, não vem jogando duro, não, ela é nossa irmã, tá com um problema com essas criaturinhas, você não pode ter um pingo de comiseração? Tenha dó. Pode deixar, Terra, eu vou pensar numa solução, até porque essas suas crias podem se espalhar por toda a Casa do Sol. Pode ser uma virose.

Monday, June 10, 2013

Flocos de Neve (da série Tudo Conto)

São bonitos, os flocos de neve.
Da Árvore do Conhecimento a gente sabe que não há dois iguais, pelo menos é o que dizem os tecnocientistas que vêm pesquisando e fotografando em 3D há muito tempo. As simetrias são distintas, é maravilhoso vê-los.
Sair fora dos edifícios e vê-los cair do céu é fantástico.
Será que os antigos davam essa importância, gente de 300 ou 400 anos atrás? O mundo mudou muito, quem sabe o que pensava aquela gente? Aqui no Espírito Santo, uma área amena onde a temperatura sequer atinge os 10 graus negativos, mal vemos um metro e meio de neve no auge do inverno. Como era quando aqui não havia neve?
Já faz 250 anos que o mundo começou a esfriar, e tanto, que o Oceano Pacífico passou de 350 a 60 milhões de km2, o Atlântico chegou a 20, o Índico virou uma poça, o Mediterrâneo gelou nos baixios e daí começou a encher a ponto de a neve chegar à sua antiga altura e continuar subindo. As pontes de gelo no Alaska e na Argentina, as pontes de terra na Austrália e Nova Zelândia e em toda parte criaram os tremendos acréscimos de solo, as barranqueiras desde então cobertas parcialmente de matas decíduas. Sem as centenas de metros de gelo sobrou só essa faixa de terra do México à Indonésia, passando pelo Brasil.
É incrível, quem poderiam imaginar que só teríamos hoje 1/100 da população de antigamente? Quem pensaria que reduziríamos de 10 bilhões a 100 milhões? Como a Terra podia sustentar tantos bilhões antes?
Como era aquele mundo?
Pouco mais de 350 anos desde quando o planeta começou a esquentar e as águas subiram. Depois desceram desastrosamente, os gelos chegaram ao norte do Texas nos antigos EUA e a São Paulo, no Brasil.
Bilhões morreram na Terra.
Uns poucos milhões nasceram no espaço e foram colonizar a Nuvem Cometária de Öort, trazendo os cometas de lá. É bonito vê-los frear nos planetas gasosos, esquentar, aumentar de tamanho com as nuvens, ser captado seu calor de frenagem pelos mega-robôs, passando depois a orbitar os jovinianos. São milhares em torno de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, sem falar das centenas de mundos do Cinturão de Kuiper que foram trazidos, demorando gerações, 30 ou 60 anos de cuidadosas operações.
Encaixá-los nas janelas orbitais planetárias foi mesmo incrível, inclusive em volta dos terrestróides em Marte (2), na Terra (7), em Vênus (12), em Mercúrio (4) e até no Cinturão de Asteróides, sem falar nos novos planetas orbitantes do Sol, belos mundos novos que foram polvilhados com o ADRN de milhares de espécies preservadas durante a Bola de Gelo da Terra. Nos jovinianos nem sei quantos são.
Que coisa!
Quem poderia imaginar?
O mundo mudou demais.
Vastas multidões de novos-seres trafegam por toda parte, super-atarefados na remodelação dos mundos. Os humanos de carne e osso somos poucos, 150 milhões, mesmo com a re-arquiengenharia mental e a expansão subseqüente. Voltamos, em termos populacionais, à época antes de Cristo.
Quanto aos seres-novos, são trilhões, um enxame inexaurível pululando em toda parte do sistema solar até a NCO, até Öort. Em número a humanidade declinou, mas em descendência foi muito além, multiplicou o antigo número por 100 e chega agora a mais de 10 trilhões em permanente comunicação.
Semana que vem falarei da crio-escavação nas altas latitudes, antigas cidades do Canadá, da Grã-Bretanha e restante da Europa, da antiga Rússia, do antigo Estados Unidos, do Paraguai e do Chile, da China, do Japão e de tantos lugares. A arqueologia no gelo prossegue literalmente a todo vapor, confirmando inteiramente as antigas fotos e filmes 2D.
Uma quantidade incrível de objetos vem sendo resgatada e recuperada para envio aos saudosistas de todo o sistema, que pagam fortunas por cada uma das peças.
Falarei também dos lugares remanescentes da Terra, onde existem tantos mosteiros para recolhimento de devotos de milhares de mundos habitados.