Tuesday, July 12, 2016


Histórias de Predador (Gronk IV)

 

A turma tinha agido nos bastidores para excluir os quatro pentelhos, passaram para as outras turmas e em compensação estavam devendo 10 couros, foi salgado, mas valeu a pena. Ufa! Que alívio, gente! Os outros não sabiam de nada, eles enfeitaram, valorizaram bastante. Em troca tinham pegado dois pentelhos crescidos, inflamados, duas nulidades, FOGO (porque estava sempre bêbado, vivia bebendo as fermentações que as mulheres inventaram, vivia caindo pelas tabelas) e MIRANTE (idiota que vivia olhando ao redor, achava que tava vendo coisas do além, era um animal). Podiam usar de isca, mas se escapassem iriam ficar contando marra.

O pessoal preveniu o Gronk: ó, se você fizer merda nós vamos te bater de verdade, mesmo o Ban sendo teu irmão, tá legal?

GRONK (entendendo logo de prima - principalmente depois que cada um lhe deu um soco no estômago -, bufando, se dobrando de dor) – tá legal, gente.

BAN (chegando) – que é que tá havendo?

GRONK – um carneiro me pegou de jeito.

BAN – que carneiro? Não tô vendo nenhum carneiro. Nós nem domesticamos os carneiros, ainda.

MIRANTE – tive uma visão.

BAN – visões não deixam ninguém arfando.

Bom, passou.

Lá foram eles.

E não é que dessa vez deu certo?

Voltaram carregados. Uma pena que o Fogo foi pego pelo Dente de Sabre, má sorte, principalmente depois que eles ajudaram a encurralá-lo. Em compensação o Mirante conseguiu escapar, disse que tinha tido uma visão, esse cara poderia ser útil.

O fato é que o Gronk carregou a maior parte do peso, tipo assim 60 %, o tal do Mirante teve uma visão e escafedeu-se. Atrasou um pouco porque o Gronk reclamava bastante, ia capengando, uma tristeza de ver, dava pena. Depois de muito tempo chegaram, Mirante se reaproximou e disse que poderiam inventar a roda, a carroça e o cavalo, mas tudo isso junto dependia de design consistente, porisso não teve jeito, por enquanto ficou a cargo do Gronk.

As mulheres ficaram esfuziantes, colocaram quase toda carne para secar, estocaram, mas deixaram um pouco para a festa.

Gronk exagerou os feitos com as “histórias de predador”, extrapolou bastante, os guerreiros baixavam a cabeça, envergonhados dos excessos, as mulheres e as crianças disseram inadvertidamente “ah, se a gente estivesse lá para ver”. Para quê? Foi a conta, Gronk passou os seis meses seguintes do inverno pintando as paredes da caverna, até que ficou bonito, não vamos dizer que não, mas era demasiado mesmo, passava muito do que eles tinham feito.

E a partir daí a cada verão era a mesma coisa, lá ia Gronk encher as paredes com aquelas porcarias dele, bisões pra cá, mamutes, até aquele tigre que quebrou a pata e eles encontraram três dias depois morto e intumescido virou uma fera empalada pela lança de Digor.

Foi assim que começou a fantasia.

Serra, terça-feira, 30 de dezembro de 2014.

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