Histórias
de Predador (Gronk IV)
A turma tinha agido nos bastidores
para excluir os quatro pentelhos, passaram para as outras turmas e em
compensação estavam devendo 10 couros, foi salgado, mas valeu a pena. Ufa! Que
alívio, gente! Os outros não sabiam de nada, eles enfeitaram, valorizaram
bastante. Em troca tinham pegado dois pentelhos crescidos, inflamados, duas
nulidades, FOGO (porque estava sempre bêbado, vivia bebendo as fermentações que
as mulheres inventaram, vivia caindo pelas tabelas) e MIRANTE (idiota que vivia
olhando ao redor, achava que tava vendo coisas do além, era um animal). Podiam
usar de isca, mas se escapassem iriam ficar contando marra.
O pessoal preveniu o Gronk: ó, se você
fizer merda nós vamos te bater de verdade, mesmo o Ban sendo teu irmão, tá
legal?
GRONK (entendendo logo de prima -
principalmente depois que cada um lhe deu um soco no estômago -, bufando, se
dobrando de dor) – tá legal, gente.
BAN (chegando) – que é que tá havendo?
GRONK – um carneiro me pegou de jeito.
BAN – que carneiro? Não tô vendo
nenhum carneiro. Nós nem domesticamos os carneiros, ainda.
MIRANTE – tive uma visão.
BAN – visões não deixam ninguém
arfando.
Bom, passou.
Lá foram eles.
E não é que dessa vez deu certo?
Voltaram carregados. Uma pena que o
Fogo foi pego pelo Dente de Sabre, má sorte, principalmente depois que eles
ajudaram a encurralá-lo. Em compensação o Mirante conseguiu escapar, disse que
tinha tido uma visão, esse cara poderia ser útil.
O fato é que o Gronk carregou a maior
parte do peso, tipo assim 60 %, o tal do Mirante teve uma visão e escafedeu-se.
Atrasou um pouco porque o Gronk reclamava bastante, ia capengando, uma tristeza
de ver, dava pena. Depois de muito tempo chegaram, Mirante se reaproximou e
disse que poderiam inventar a roda, a carroça e o cavalo, mas tudo isso junto
dependia de design consistente, porisso não teve jeito, por enquanto ficou a
cargo do Gronk.
As mulheres ficaram esfuziantes, colocaram
quase toda carne para secar, estocaram, mas deixaram um pouco para a festa.
Gronk exagerou os feitos com as
“histórias de predador”, extrapolou bastante, os guerreiros baixavam a cabeça,
envergonhados dos excessos, as mulheres e as crianças disseram inadvertidamente
“ah, se a gente estivesse lá para ver”. Para quê? Foi a conta, Gronk passou os
seis meses seguintes do inverno pintando as paredes da caverna, até que ficou
bonito, não vamos dizer que não, mas era demasiado mesmo, passava muito do que
eles tinham feito.
E a partir daí a cada verão era a
mesma coisa, lá ia Gronk encher as paredes com aquelas porcarias dele, bisões
pra cá, mamutes, até aquele tigre que quebrou a pata e eles encontraram três
dias depois morto e intumescido virou uma fera empalada pela lança de Digor.
Foi assim que começou a fantasia.
Serra, terça-feira, 30 de dezembro de
2014.
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