Tuesday, July 12, 2016


Por que os Homens Não Usam Talheres com Gosto

 

Lá iam os homens para outra tentativa.

Tinham se juntado a eles quatro pirralhos recém-saídos da bosta supervalorizada dos ritos de passagem, puta que o pariu, mais quatro pra pajear, assim não dá, é muito difícil: PRAQUÊ, BOÇAL, TIRAISSODEMIM (porque uma lacraia subiu nele, coitadinho), VAMOVÊ (metido a gostosinho, o nanico). Fora a florzinha e os que não passaram. Por sorte morria um monte nas caçadas, mais de 70 %, as mulheres choravam.

TUROR – essas titicas vão atrasar a gente. Alá, vem dançando e fazendo bagunça.

BAN – Turor, não inventa, não, você quer enfezar as mulheres, você tá pronto para ficar sem aquilo?

TUROR – não, né? É que lá vem eles fingindo que são guerreiros.

DIGOR – os outros grupos não foram poupados, o que você quer, cada um tem de pegar um pouco, quando a gente morrer vai ser como?

TUROR (indignado) – GEEENTE, eu sei, mas é chato, né?

VAMOVÊ (querendo falar, todo metidinho) – gente, tive uma ideia ...

BAN – calaboca, seu otário, aqui é conversa de homem, vai lá conversar com sua patotinha.

PRAQUÊ, BOÇAL E TIRAISSODEMIM (rindo sem disfarçar) – tomou?

ADEDOR – pessoal, sem brincadeira, temos de apertar o passo, cês acham que a caça vai nos esperar sentadinha? Os tigres de dente de sabre vão comer os mamutes e os bisontes e depois vão vir pra cima da gente.

TUROR – oferecemos os aperitivos e corremos.

OS QUATRO – que aperitivos?

TUROR (virando os olhos e balançando a cabeça) – é, que aperitivos?

BAN – Turor, dois são seus filhos.

TUROR – porisso mesmo.

ADEDOR – pessoal, se a gente voltar sem grande proteína as mulheres vão nos capar, lembrem de quantos são: elas mesmas 50 %, os fedelhos 25 %, velhos, anãos, estropiados (GRAMPÃO se fudeu, tá todo costurado, ele tá pra morrer, acho que ele vai se jogar da pirambeira; ZOIM tá deixando o braço infeccionar pra ver se morre, há, há, há), os fror.

BAN – não sei como elas aguentam, aqui pra nós.

TANEU – Gronk, fale alguma coisa.

VÁRIOS (afobados) – não, Taneu.

Mas já era tarde.

GRONK – gente, fiquei pensando.

TUROR – é porisso que tá fedendo.

GRONK – gente, porque não usamos talheres (garfos, facas, colheres)?

TUROR – Gronk, será por que estamos TENTANDO ANDAR, porra?

BAN (que era o mais velho, 32 anos) – Turor, não grita, você vai chamar a atenção dos predadores.

BOÇAL – predador de quem, tio?

BAN (nem se dando ao trabalho de responder) – Gronk, meu querido irmão (que sorte que eu tive), com esses seus 19 anos de sabedoria você deveria pensar que isso toma tempo, tem de lavar, tem de colocar a toalha, isso é de quando não tínhamos passado pelos rituais, lembra? - o seu não faz tanto tempo.

GRONK – mas é tão educado.

TANEU (tentando corrigir a burrada) – é, Gronk, nós estamos tentando andar, lembra disso? - vai tomar muito tempo, quando a gente voltar você mata a saudade, pode ser?

GRONK – mas é tão requintado! Tão charmoso.

TUROR – Ban, cê tem certeza que não é fruta?

BAN – claro que sim! Isso não existe em nossa família!

VAMOVÊ – o que é fruta, tio?

Ninguém dá bola pra ele, que sofre bullying dos outros.

DIGOR – Gronk, você quer ficar outros seis meses de jejum se a gente perder a trilha da manada?

GRONK – não, uma vez chega. Mas é que é bonito demais com as mulheres, aquela finura, uma beleza, muito educado.

Aí pararam para demover o Gronk.

Não deu outra, perderam a trilha, quando chegaram no novo local os tigres e as hienas tinham feito a farra.

Voltaram cabisbaixos, de longe as mulheres viram todos arriados, perguntaram: cadê a comida de inverno?

TODOS (inclusive os pentelhos) – perguntem pro Gronk.
Serra, quarta-feira, 24 de dezembro de 2014.

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