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Wednesday, August 21, 2013

Parque Jurássico (da série Se Precisar Conto Outra Vez)


Algumas vezes os governos fazem algo de útil.
Não sei se você percebeu que sou contra eles.
Pois dessa vez tive de aplaudir, porque o governo local instalou um parque que nada tinha de avançado ou avançadíssimo.
Por que precisamos dos computadores da frente de ondas tecnocientífica ou dos maiores progressos que o mundo pode proporcionar?
O argumento é que na Curva do Sino só 2,5 % de todos precisam da extremidade direita, para onde vão os aspirantes às alturas. 1/40 não precisa de ajuda do conhecimento extremo e 95 % ficam no meio. A classe E é a miserável economicamente, submetê-la aos avanços é penalizá-la.
Então, esses caras pensaram em frações 1/A (a rica necessitada da linha de frente), 1/B (os médio-altos), 1/C, 1/D e 1/E. A média, 1/C precisa de pouca coisa. Existem as firmas do período Jurássico, em termos equivalentes.
Comprei meu lote lá, depois comprei outro.
O governo constrói em módulos, conforme a necessidade, e divide em parcelas, inúmeras parcelas, porque o objetivo é realmente ajudar; sendo assim, pouquinho de cada vez, podemos usar nossas forças para crescer. Não nos incomodamos de a construção ser “enxuta”, o saneamento projetado para durar e receber melhorias no decorrer dos anos, as instalações simples, sem serem precárias, as máquinas não serem as melhores de todas – não estamos atendendo às elites e sim ao povo. Com isso podemos fornecer qualidade durável: bruta e simples, atrasada perante os adiantados, mas confiável e porisso mesmo barata sem deixar cair a peteca. Estão retomando as máquinas antigas.
Os engenheiros, os arquitetos, os urbanistas, os artistas todos trabalham para obter durabilidade sem comprometimento da qualidade POPULAR. Com isso conseguimos baixar os preços em até 70 % e estamos nos reunindo todo sábado para baixar ainda mais. Muitos da classe B começaram a comprar nossos produtos abrutalhados quando ofertam em suas fábricas às classes C e D.
Reconhecer que existe passado no presente, que nem tudo precisa ser futurível, nos trouxe ganhos a todos: os pobres podem poupar muito mais e, aplicando em materiais de construção PJ (parque jurássico), podem fazer obra muito melhor e maior, mais firme. O que ganhamos transformamos em duração.
Vem dando certo e os governantes estão criando o segundo PJ, desta vez no interior; cortando as gorduras e reconhecendo a verdade e a simplicidade, muito mais está podendo ser feito.


Serra, segunda-feira, 09 de abril de 2012.

José Augusto Gava.

Wednesday, July 03, 2013

Alimenta-são (da série Se Precisar Conto Outra Vez)


Os governos fazem muitas coisas inúteis e gastam muito mal nosso dinheiro suadinho, mas nesse caso em especial posso garantir que foi bem usado.
Em algum momento alguém se perguntou: com esses avanços todos da medicina-odontologia, da biologia-p.2 (segunda ponte), da química, da psicologia, de tudo mesmo, POR QUÊ OS SERES HUMANOS ADOECEM? Há a educação, o nutricionismo, a pedagogia, os conselhos tutelares e da família, uma quantidade imensa de gente disponível.
Qual a razão de a alimentação contribuir para o adoecimento das pessoas e não para a saúde?
Quais são os elementos da “bandeira elementar”? Quais seriam os melhores conselhos quanto ao ar, ao uso da água, ao aproveitamento da terra/solo, à aplicação da energia? Se fossem reunidos especialistas, o que poderíamos fazer?
Aplaudi esse cara, bati palmas mesmo.
Em resumo, ele pensou (li o livro dele cinco ou seis vezes, nas sucessivas edições ampliadas): e se reunirmos todos esses especialistas? Quer dizer, se os colocarmos juntos durante várias semanas e nos anos seguintes se correspondessem os representantes de todas essas áreas? E se eles estivessem REALMENTE preocupados com os seres humanos todos? E depois, voltando a suas nações, se os governos de cada país divulgassem as diretrizes? Para as crianças, os jovens, os adultos, os maduros e os velhos, o que seria melhor? Para as mulheres e os homens? Para as altitudes, latitudes, longitudes, perto e longe do mar, consumindo produtos da terra ou da água, o que seria melhor? Água ou bebidas quentes e frias, doces, salgados, condimentos, gorduras, light e diet, o que aconselhar?
Bem, ficaram nisso anos, foi debate intensíssimo, muito acirrado.
Absorvente, consumiu muito dinheiro, porém os resultados foram extraordinários para o futuro da humanidade.
Atribuíram a cada ser humano uma carteira que leva o tipo sanguíneo, o fator RH, peso, altura, padrão esquelético, cor, sexo, idade, doenças, tudo, tudo, tudo num smart card, um “cartão inteligente” com um chip verdadeiramente poderoso que de cinco em cinco anos recebe atualizações. Cada restaurante, lar, bar, todo lugar recebeu máquina e cada produto tem etiqueta com seu tipo enquadrado. Bem, isso diminuiu DEMAIS as idas a hospitais, a consultórios de dentistas, a farmácias – obviamente os governos foram obrigados a reorientar os empregados das indústrias privadas e os funcionários dedicados à vigilância delas, com ganhos consideráveis. Que alimentos cabiam em tais ou quais horas do dia em determinados serviços? Os cartões indicavam tudo, bastavam inseri-los, recusavam tais ou quais alimentos. Claro que ficava a liberdade de proceder diferentemente e durante anos os resistentes foram condenados a sofrimentos de que os outros ficaram livres. Com o tempo, quase todos aderiram, menos os super-resistentes de sempre.
Inserido o cartão ele indica, dentre todos os produtos oferecidos no lugar, quanto consumir. Que porções? O que está definitivamente vedado? Apontado o cartão para o código de barras, ele o lê e numa tela anexa, pequena, aconselha ou não a consumir.
Bem, hoje morreu o idealizador do sistema. Não creio que essas poucas palavras bastem para expressar toda nossa gratidão, numerosíssimos livros foram escritos. É somente agradecimento deste sacerdote que ganhou pelo menos 40 anos a mais de vida. Deus o tenha.

Monday, April 22, 2013

A Religião do Estado (da série Tudo Conto)


O Estado decidiu colocar uma religião.
Uma religião-autarquia, não era empresa pública porque religião, enquanto empresa, já estava sendo praticada pelos protestantes.
E, depois, pegava mal, porque o Estado foi declarado leigo.
O Estado já cobrava mais de 80 tributos do povo, sobretaxando-o vergonhosamente, tomando tudo que era possível da parte de César, como Jesus admitira; agora, alguns ponderavam, porque não tomar também a parte de Deus? Aqueles desocupados (no bom sentido) de Brasília começaram a pensar, montaram workshops (que palavra horrível, a começar por work, trabalho, mas vá lá; seguida de shop, oficina – oficina de trabalho, aquilo dava arrepios nos mais puristas, que nunca tinham dado um dia de trabalho para a nação, feito Lulambão, argh!).
Por que não?
Deus não dava as caras há dois mil anos e até apareceu pichado nos muros da UFES “Jesus não vai voltar”.
Isso já levava a pensar naqueles outros 50 %.
Alguns diziam que o governo já levava 50 %, mas longe disso, pois não contavam a renda oculta, que era de 60 %; contando o invisível chegava a 20 ou 25 % no máximo, mas poderia chegar a 50 % de fato, como na Suécia (era tão bom ser avançado, mas o problema é que lá o governo oferecia serviços de alta qualidade – se houvesse um jeito de pegar 50 % como lá com serviços de baixa qualidade como no Brasil, seria um chuá).

CEASAR PARQUES E DEUS DARÁ (com que viveriam o povo e as elites eles não tinham pensado, mas também você não quer que eles pensem tudo, né?) NA 
MESMA PRAÇA, PARA ECONOMIZAR DINHEIRO DO CONTRIBUINTE.

PARTE DE CÉSAR
PARTE DE DEUS
50 %
50 %

Acontece que os governos já cobram impostos, como cobrar dízimo também? Uns foram a favor de acoplar o dízimo aos impostos como mais 10 %, mas outros temiam a resistência, já de si bastante grande. Incrível como o povo é ingrato e incoerente! Não seria tão mais justo juntar o leigo com o religioso num pacote só?
Outros perguntavam como os funcionários iriam se vestir, se de gravata e terno, com estola, ou se de batina. Como padres ou como pastores? Não era fácil enfrentar 50 mil empresas-igrejas adventistas em outras tantas denominações.
Como chamar?
RELES (Religião do Estado) dava ideia “de qualidade ordinária, digna de desprezo; grosseiro, insignificante”, como dizia o Houaiss eletrônico.
A presidanta deveria aparecer na capa como pastora?
Ou bispa?
Ou bisca?
OU, QUEM SABE, como cardeala? (Puxa, cara, nessa você se superou, ELA vai gostar pra caramba).
Ou papisa, sei lá (Aí já é exagero).
E os ministros, seriam cardeais doravante? (Já existem cardeais, não vamos nos repetir, de qualquer forma é marca registrada da Igreja). Mas podem ser ministros mesmo, só não podem ser ministros protestantes porque ELA não vai gostar. Terrorismo, não!
Essa coisa tá mais difícil do que pensamos.
Até pra tirar dinheiro das ovelhas é preciso dom.
Tosquiar ovelha depende de prática, mais do que teoria. Ser governo e coBRar inumeráveis tributos é até mais fácil, você sabia?
Tá cada vez mais difícil enganar os trouxas, porque há poucos trouxas e todo trouxa que há alguém já pegou.
É, falta trouxa.
É mesmo.
Temos de concluir que tá faltando trouxa.
É, cara, se houvesse mais trouxas seria mais fácil.
Agora você falou tudo, a gente poderia colocar uma fábrica de trouxas, uma TV, mais uma ou qualquer media, cinema.
Escola!
Gênio, toca aqui, é isso mesmo, escola do governo.
DEPOIS a gente coloca a religião do Estado.