Wednesday, October 02, 2013

Madrugado (da série Já que Conto)

Madrugado

Gado da madrugada.
São muitos.
VOU TENTAR ILUSTRAR
BOIADA
Só andam em bando e tem um que manda neles todos. São jovens em bando.
CAIPORA
Os pés para trás, fingem que estão avançando, mas estão recuando, os falsos revolucionários.
RATAZANA
Mulher escolada.
Goleira que pega todas as bolas.
RATO DA BARRIGA BRANCA
Quem apanha da mulher e na roda quer dar uma de macho.
TAMANDUÁ
Os cheiradores, que anda por aí com a língua igual um chicote.
VAMPIROS
Que ficam querendo chupar seu sangue (cerveja, bebida quente).
ZUMBIS
Estão tão chapados que ficam balançando.
Bicho da noite

São muitas horas da noite
São horas do bacurau
Jaguar avança dançando
Dançam caipora e babau
Festa do medo e do espanto
De assombrações num sarau
Furando o tronco da noite
Um bico de pica-pau
Andam feitiços no ar
De um feiticeiro marau
Mandingas e coisas feitas
No xangô de Nicolau
Medo da noite escondido
Nos galhos de pé de pau
A toda dança acompanha
Tocando seu berimbau
Um caçador esquecido
Espreita de alto jirau
Não vê cotia nem paca
Só vê jaguara e babau
Alguém soluça e lamenta
Todo esse mundo tão mau
Picando a sombra da noite
Pinica o pinica-pau
Alguém no rio agoniza
Num rio que não dá vau
Alguém na sombra noturna
Morreu no fundo perau

Composição: Sérgio Ricardo/Joaquim Cardoso

Não pude continuar a pesquisa porque me pegaram no cacete, quem quiser se arriscar que busque saber. Disseram que tava entregando, tava não, só queria saber.
Serra, domingo, 30 de setembro de 2012.

Louvado Seja Seu Santo Número (da série Já que Conto)

Louvado Seja Seu Santo Número

Nosso Senhor, Pitágoras, louvado seja seu número, nasceu como todo mundo sabe há 2582 anos e morreu há 2492 anos, 90 anos entre datas, o ano zero de nossa era sendo o ano de sua partida para o Céu dos Números. Agora é 2492 a. P. (ano da graça de Pitágoras), já sabemos de todo o progresso nesses 25 séculos.
Há uma biblioteca-museu ou universidade-laboratório na Praça do Triângulo onde você pode ficar sabendo tudo sobre a Igreja do Número, sobre a Música das Esferas e tudo mais.
O PÓRTICO DA GLÓRIA
Sabedoria Pitagórica

José Pedro Trevisan Novaretti*
A dificuldade para conhecer a essência do pensamento pitagórico esta no fato de não haver material escrito pelo próprio Filósofo.
Pitágoras foi um grande reformador, um grande espírito, que tentou estabelecer uma nova ordem, inspirando-se nas leis imutáveis da Natureza. Atribui-se a ele a frase: viver segundo a Natureza é viver segundo os deuses.
A Escola Pitagórica era uma verdadeira escola científica de iniciação na vida e buscava uma mudança radical na conduta dos homens. Pitágoras dizia que, sem aspirações elevadas, sem fé em algo supra-humano, a alma do homem cai no materialismo e nos erros.
Sua vida, suas ideias e instituições
Pitágoras nasceu por volta de 590 a. C. em Sidon na Fenícia. Com cerca de 17 anos partiu para conhecer os países tidos na antiguidade como os mais avançados nas ciências. Foi ao Egito, onde permaneceu por cerca de 20 anos com sacerdotes de um verdadeiro colé2io de sábios. Numa das invasões persas,

Pitágoras, junto com uma parte do colégio sacerdotal, foi levado para a cidade da Babilônia. Permaneceu nesta linda cidade dos Caldeus por 12 anos estudando novas ciências e adquirindo grandes conhecimentos em astronomia e matemática.
Voltou para sua terra sonhando com um tipo de revolução diferente daquelas que são obras de paixões e que são promovidas por pessoas embrutecidas por regimes de crueldade e servidão. Segundo seu pensamento, a ordem social estável e frutífera só podia ser adquirida quando inspirada na natureza. Ele livrou a Ciência Vital dos mitos criados pelos sacerdotes egípcios, pois achava mais correto instruir que enganar os homens. Pitágoras decidiu criar uma escola onde somente homens e mulheres escolhidos por suas inteligências e virtudes poderiam estudar.
Fundou o Instituto Pitagórico na região meridional da Itália, nos arredores de Cróton, onde havia um Museu que era um templo para estudos doutrinários; moradias e dependências destinadas a exercícios, jogos e artes. Chegou a contar, segundo Porfírio, com mais de 2 mil alunos, que haviam renunciado à vida convencional e rotineira para aproveitar as lições do divino mestre. No pórtico da escola, que só podia ser atravessado pelo mérito, estava escrito:

Para trás, profanos.

Os candidatos eram submetidos a provas difíceis. Durante a primeira fase os jovens eram objeto de intensa observação por parte dos mestres no que se referia a suas atitudes e suas palavras para então passar por provas definitivas. Para se ter uma ideia do tipo de provas devemos observar o exemplo dado por Shuré, o autor que melhor traduziu o espírito pitagórico: fazia-se o aspirante passar uma noite em uma caverna escura, onde diziam haver monstros e fantasmas e somente aqueles que suportavam esta prova podiam continuar.
A prova moral era mais séria. Bruscamente, sem preparação, colocavam o neófito, pela manhã, em uma cela com uma prancheta e ordenavam que buscasse o sentido de um dos símbolos pitagóricos, como por exemplo o triângulo inscrito no círculo. Lá ele era mantido por 12 horas com sua prancheta, um frasco de água e um pedaço de pão. Depois, era levado para uma sala com vários discípulos e mestres reunidos e era submetido a brincadeiras e gozações. Confuso e esfomeado, o candidato ouvia coisas como: "aqui está o novo filósofo. Que semblante mais inspirado! Vamos, conte-nos suas conclusões. Não nos oculte o que descobriu. Será desta forma que meditarás sobre todos os símbolos e quando tiverdes passado um mês sob este regime te tomarás um grande sábio".
Durante todo o tempo o mestre observava atentamente a atitude e a fisionomia do jovem, que devia, para continuar na escola, suportar as provocações respondendo-as com palavras justas e com humildade. Havia aqueles que choravam, os que se comportavam cinicamente e ainda os que quebravam as pranchetas e ofendiam os presentes. Estes, por não suportarem esta prova, eram despedidos da escola e às vezes tornavam-se inimigos ferozes da ordem, como Cylon, que será citado mais adiante. Esta prova era sempre realizada, porque Pitágoras achava que o homem orgulhoso era um fator de perturbação e discórdia, incapaz de progredir no caminho da perfeição.
Uma vez admitido na ordem o novo adepto devia usar uma túnica de linho branco, abster-se de comer carne, mesmo de aves e peixes, e do uso de bebidas fermentadas. Passava então a estudar matemática, cosmogonia, biologia, astronomia, música e a realizar exercícios físicos, tudo com a finalidade de conhecer e aplicar as leis harmônicas que regem o Universo e compreender, assim, sua ligação com Deus. Na Bíblia está escrito: "criou Deus pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou..." (Gênesis, 1:27). Para Pitágoras Deus é o Cosmos, portanto o homem é semelhante ao Cosmos.

Além disso, os mestres pregavam a seus alunos a fraternidade, a tolerância e a razão. Perdoemos com antecipação, diziam, aos que tenham intenção de nos ultrajar. O homem iluminado não pode ter ressentimento contra o bastão do cego que o toca. A modéstia era fundamental, tanto que Pitágoras intitulava-se filósofo (amigo da sabedoria) e não sábio, título que, para ele, só caberia a Deus.
O ensinamento pitagórico era feito em duas fases, divididas em 4 graus:
Preparação, Purificação, Perfeição e Epifania ou Iluminação Interior. No início os alunos eram submetidos à lei do silêncio e ficavam sem fazer perguntas por longo tempo, quando então eram convidados a expor. livremente, suas ideias, suas opiniões, suas dúvidas e suas experiências. Aqueles considerados capazes eram admitidos, somente então, nos estudos posteriores. Eventualmente, neófitos brilhantes, do ponto de vista de conhecimento e virtudes, eram admitidos diretamente nos estudos superiores. Somente neste estágio é que passavam a ter contato direto com Pitágoras.
O dia do pitagórico ordenava-se da seguinte forma: ao sair o sol os discípulos mais jovens cantavam hinos à natureza. Eram realizadas danças lentas acompanhadas por acordes de lira, com caráter sagrado. Depois se seguiam as abluções e os estudos.
Ao meio dia a comida, que era composta de pão, figos, azeitonas e mel. Durante à tarde, consagravam suas horas de ócio a passeios, que favoreciam a meditação sobre estudos da manhã.
Depois o banho, para repousar o corpo das fadigas. Pitágoras dizia: a sabedoria ensina que convém pelo menos três pessoas nos passei-os, não mais de dez à mesa e somente uma ao banho.
O respeito à vida era fundamental, não se permitindo nem a caça e nem a pesca. Transcorrido o dia, quando o sol escondia-se no horizonte, iniciavam outros cânticos, agora em homenagem aos mortos e, depois de uma ceia ligeira, reuniam-se para escutar uma leitura que era comentada por um dos discípulos mais velhos.
Aos chamados iniciados só era permitido ter poucos filhos, pois segundo o mestre, o homem que possui família numerosa não consegue cuidar de seu desenvolvimento espiritual e dos filhos ao mesmo tempo.
Pitágoras ensinava que a saúde é uma condição essencial, pois sem ela não há serenidade de espírito. A filosofia, dizia, consiste no equilíbrio dos humores da alma e na harmonia dos movimentos do corpo.
O sentido profundo da filosofia pitagórica tinha como ideia essencial que Deus é todo harmonia e que a finalidade suprema do homem é imitar a Deus. Por isso, dizia Pitágoras: a sociedade humana, que também constitui uma unidade, deve ser como uma imagem do Universo, um organismo harmonioso.
Estes princípios de harmonia e de ordem Pitágoras procurou implantar na constituição do Estado, através de uma assembleia arbitral constituída por cidadãos iniciados por ele. Dizia que não podendo ter deuses por legisladores, recorram pelo menos aos sábios. Segundo o filósofo é muito frágil a ordem em uma nação dirigida por cidadãos dominados por suas paixões egoístas. Ele julgava que a maioria dos homens não sabe guiar-se pelos ditames do bom sentido e, por isso, necessitam de um guia. No entanto, ele não almejava obter aquela obediência passiva e resignada, que mantém o embrutecimento dos povos, mas sim uma disciplina consentida. Pitágoras mesmo dizia que mais valia ser touro por um dia que ser boi a vida toda.
A reputação de Pitágoras crescia sem cessar, a ponto de enviar seus discípulos a varias repúblicas, inclusive à Grécia, para ajudar os legisladores daqueles locais.
O providencial poder do filósofo, salvaguarda da prosperidade e da tranquilidade públicas, esperava-se, logicamente, encontraria no povo fiéis partidários. Mas não foi isto que ocorreu. Um certo Cylon, jovem rico e ambicioso, que Pitágoras não quis admitir em sua escola, por ter caráter violento e orgulhoso, tinha adquirido, devido a esta negação, um ódio implacável pela Escola Pitagórica e só pensava em vingar-se.
Assim, após tentar, sem sucesso, desacreditar o filósofo publicamente, resolveu um dia invadir a escola com um grupo de homens armados, destruindo tudo e matando a maioria das pessoas que lá vivia. Pitágoras sobreviveu ao ataque e morreu com aproximadamente 90 anos, em Metaponto.
Depois disto, as ordens pitagóricas espalharam-se por várias cidades da Itália e da Grécia e durante 3 séculos propagaram os ensinamentos adquiridos. São considerados seus herdeiros e discípulos: Lysis, Timeo de Locres, Heráclito, Empédocles, Sócrates, Platão e outros.
Muitos foram os filósofos que se inspiraram em Pitágoras mas a grandiosa obra que ele ousou empreender, ou seja, a regeneração da espécie humana pela sua comunhão com a natureza, continua ainda um desafio formoso e tentador para os idealistas confiantes nos destinos elevados da humanidade e convencidos de que a harmonia é a finalidade suprema da vida.

A CÉLEBRE MANIFESTAÇÃO DE SÃO GALILEU
Wiki
Essa concepção da realidade como intrinsecamente racional e que pode ser plenamente captada pelas ideias e conceitos preparou a terceira grande mudança intelectual moderna. A realidade, a partir de Galileu, é concebida como um sistema racional de mecanismos físicos, cuja estrutura profunda e invisível é matemática. O “livro do mundo”, diz Galileu, “está escrito em caracteres matemáticos.”

Infelizmente os Novos Pitagóricos cindiram-se dos Velhos Pitagóricos, vindo de tal racha algumas dificuldades que os papas numéricos procuraram sanar.
Mais recentemente os cientistas, esses devotos dos números, das equações, das matrizes, muito têm feito por levar adiante os célebres feitos antigos dos apóstolos de Pitágoras e seus discípulos que saíram pelo mundo pregando o Evangelho do Número.
A CONVERGÊNCIA NUMÉRICA
ARITMÉTRICA
GEOALGÉBRICA
GEOMETRIA
ÁLGEBRA
O número puro.
As formas.
As equações.

TODOS OS NÚMEROS (a celebração da numeralidade no solstício de inverno)

É evidente que o Número tornou tudo muito métrico, muito medido, inclusive o amor, tudo reduzido ao Binário. É claro, mas tinha de ser assim, para não haver válvula de escape que nos levasse ao emocional, ao intempestivo, ao não pausado, ao não métrico. Algo se perde, é lógico, mas ganhamos também, por exemplo, esses belos debates sobre o potencial expressivo das equações, o completamento numeral da Natureza frente à intranqüilidade do não mensurável, a matriz universal e outros assuntos tão candentes.
Há os insatisfeitos, sempre há os que ficam pensando em outros mundos, os que fantasiam. Sempre há. Como não haveria? Sonham com a beleza, essa mítica dimensão. Existe? Não existe? Ficar sonhando com o imponderável não nos sustenta.
Serra, terça-feira, 02 de outubro de 2012.
José Augusto Gava.

Lada Inda (da série Já que Conto)

Lada Inda

Ladainha.
Quando existia a URSS até 1991 (coloquei depois disso a pós-contemporaneidade: a Queda da URSS lançou um novo tempo, uma nova era, uma nova época), ela fabricava o Lada e eu procurava (porque socialista-comunista, desejava que o - agora sabidamente pseudo-comunista regime – prosperasse e realmente produzisse e entregasse resultados ao povo de lá) ver qualidades, por exemplo, a lataria duradoura e pesada, de aço resistente.
Depois despontaram as dificuldades, e as mentiras que visavam resguardá-las, por exemplo, o fato de que o Lada era copiado da FIAT italiana, que cedera o projeto.
LADA AINDA
FIAT
LADA
antigo
atual

A gente quer acreditar.
E quando quer ver só com o olho esquerdo, renuncia à amplidão da visão total e lateral.
A REALIDADE OLHO DE PEIXE (ver tudo, procurar tudo)

Até as pessoas comprometidas com compreender por vezes falham, em razão das preferências. Os propagandistas da esquerda também são perversos e na URSS, como em tantos outros lugares, viveram de enganar o povo de dentro e os pesquisadores de fora, vendendo-nos imagens idílicas. Do outro lado os propagandistas do capitalismo burguês procuravam mostrar os países socialistas sob “céus de chumbo”, escuros, tempestuosos. Evidentemente que, fechados politicamente, os socialistas eram fechados em todos os sentidos, da criatividade à COMUNICAÇÃO das invenções das elites ao povo, via produçãorganização. Foi essa a pedra de toque de sua derrota, bastando acumular tempo para acumular erros.
Doutra parte, os do “leste” inventaram muitas coisas que estão sendo comunicadas há 20 anos (1991-2011) depois da Queda da URSS, como aconteceu depois da Queda de Constantinopla.
Ficou o ranço oriental, as coisas pesadas como o Lada, aquele arrastamento imenso da falta de amor. Ganhou o amor cristão, que é liberador, que deseja o bem do povo, que lhe permite acessar as benesses das elites. Perdeu o fechamento, a ideia de que é para poucos.
Serra, quinta-feira, 27 de setembro de 2012.
José Augusto Gava.

Investe N'Eu (da série Já que Conto)

Investe N’Eu

O aluguel é 1/200 do valor do imóvel ou 0,5 % porque essa é a taxa de poupança mensal ou pouco mais, repõe a inflação. E a pessoa fica com o imóvel, o qual por essa misteriosa arte da “valorização” - que vem dos investimentos sociais ao longo dos anos – passa a valer muito mais. Você compra por 30 em valor permanente e em 25 anos está valendo 300 ou 600, você lucrou só aí 270 ou 570, seria preciso investigar. Sem falar que a casa foi toda paga em igual período uma vez.
Há também a chance de comprar uma casa ou apartamento/apertamento em 25 anos ou 300 prestações e pagar três ou quatro, para felicidade das imobiliárias patrocinadas e suportadas pelos governos com dinheiro colhido ao povo via tributos.
Ora, se isso não é o inferno!
Por outro lado, se você tiver o dinheiro básico, compra o lote, manda construir os apartamentos (já calculei), um ou dois ou quatro por andar, vende todos, paga o lote e a construção e fica com a cobertura, que equivale a dois (2 x 1, 2 x 2, 2 x 4), além do dinheiro para reinvestir no próximo jogo. E assim sucessivamente, de repente com aquele único valor inicial você teria (tomando dois anos para fazer tudo isso, em 40 anos) 20 coberturas, podendo se aposentar com a dependência-sofreguidão dos pobres e médios.
Ou poderia comprar terreno na roça.
CONDOMÍNIOS FECHADOS (e tome ÔPA-ganda) – nem tudo são flores na rosa/roça, há espinhos.
Região serrana do ES.
O ar puro, a floresta, os animaizinhos, a beleza, tudo que traga o seu dinheiro para habitar o meu bolso.

Digamos 10 hectares ou 100 mil m2, quatro frações de 2,5 ha, uma das quais deixada como reserva legal de mata, três destinadas ao empreendimento. Cada ha tendo 10 mil metros quadrados, 2,5 deles correspondem a 25 mil m2, dividindo por 500 m2 de cada lote (25 m x 20 m) obteremos 50 lotes. O ha no ES valendo 20 mil, o custo total de compra será de (10 x 20 =) 200 mil, ¼ saindo por 50 mil, cada um dos 50 lotes custando mil; se você vender cada lote por 100 mil (com os arruamentos, com os postes, com esgoto, com serviço de água, com lixeiras, com Wi-Fi e tudo, há que calcular quanto sobra) fará (50 lotes x 100 mil/lote =) 5,0 milhões, 25 vezes o que você pagou por tudo.
E você pode guardar metade, 50 mil m2 ou 100 lotes para valorização devida à própria presença dos compradores, vendendo depois mais cara a segunda parcela e mais ainda a terceira logo adiante.
Em tudo a milagrosa valorização.
Não admira nada que tantos estejam nisso.
E admira muito que sejam tão poucos, porque é necessário o chamado CAPITAL INICIAL que poucos possuem ou podem juntar. Além do quê os bancos, de olhos nas taxas, podem emprestar a percentuais estratosféricos.
Ouvi no ônibus o rapaz dizer que a escravidão acabou em 1888.
Bom, não para todos.
Serra, terça-feira, 02 de outubro de 2012.
José Augusto Gava.

Inseticídio (da série Já que Conto)

Inseticídio

O bar estava lotado, tinha gente esperando, os gozadores disseram a Formigão:
- Formigão, meu nego, o pessoal da 14 tá pedindo logo três cervejas geladíssimas, gorjeta gorda que a gente conhece, é mesa do Jaó, mas ele vai deixar essa procê.
Formigão pegou a bandeja, colocou as cervas e foi, todo alegre e saltitante. Quando chegou à porta do bar que dava para o calçadão bambeou, ficou pálido, as pernas amoleceram, a bandeja tombou, as três garrafas caíram com estardalhaço, fregueses próximos pularam.
- Pô, garçom, olha aí, cara.
Formigão não conseguia falar, ficou mudo, encostou-se na cadeira próxima e ficou ali respirando com dificuldade.
O pessoal veio acudir.
Vou te contar, isso revolta, tá bom, os que se dizem amigos colocarem você numa enrascada dessas é de doer, tive pena de Formigão, empurrei Tanajura e Saúva, dei um safanão numa e uma bifa na outra, vá tomar atrás do soc, como dizia minha mãe, atrás do saco, seus putos.
Fazer isso com o Formigão, formiga trabalhadora, cumpridora dos deveres que pega o ônibus às quatro da manhã para ir para casa com o salário e as gorjetas alimentar o bando de formiguinhas famintas, isso não se faz.
- O quê? Claro, quem tava lá senão o Tamanduá? Até eu me borraria.
O caso é que o Tamanduá e a turma dele são uns assassinos de merda, mataram a família toda do Formigão, arrasaram o formigueiro, passaram a língua em todo mundo (ele só escapou porque tinha ido à padaria comprar seiva), porisso que o Formigão emigrou pra Jijoca de Jericoacoara, saindo do ES para vir pro Ceará. Vai dizer que não sabiam? Então, porque foram certeiros? Evidente que o Formigão falou na confiança, alguém ouviu e ficaram tramando às costas dele. Um pai de família, 2.350 filhos, isso é maldade, vê se cai a ficha, isso não se faz. Foi covardia. Nem sei se fico nesse bar, vou falar com o gerente, se eles ficarem eu saio.
Formigão ficou tremendo o resto da noite, sem falar que as demais formigas não queriam ir lá, foi preciso chamar outros insetos, maiores, que não passavam pela garganta do Tamanduá.
TAMANDUÁ DANDO BANDEIRA

Nessa noite chamaram as borboletas e lepidópteros variados que, lógico, cobraram hora extra. Ninguém queria ir lá, eu hem? Também não fui, não sou doido!
Serra, quarta-feira, 17 de outubro de 2012.
José Augusto Gava.

Infernal Burocracia Estatal (da série Já que Conto)

Infernal Burocracia Estatal

A SEÇÃO BRASILEIRA DO INFERNO
Dizem que a seção alemã do inferno quase não tinha ninguém na fila, porque todos os diabos de lá eram muito eficientes e cumpridores dos deveres, assim como nas seções japonesa, suíça, canadense e até inglesa e americana, ao passo que na seção brasileira formavam-se filas gigantescas.
Um recém-chegado, ainda desconhecedor dos babados, foi perguntar do por quê da diferença e um mais antigo na fila lhe segredou:
- É que na seção brasileira os diabos faltam por absenteísmo depois de beber muito, faltam para ir a jogo de futebol, faltam porque a mãe morreu três vezes, levam atestado médico, chegam atrasados, saem cedo, conversam muito e as caldeiras dão problemas, falta carvão e tudo isso.

Pois bem, a chamada Nova Gerência Infernal, querendo mostrar trabalho, contratou firma brasileira de reengenharia, até porque pretendia lançar ações “quentes” na Bolsa de são Paulo, cada vez mais significativa no mundo. Mais adiante as propagandas dos marqueteiros do PT iriam fazer tudo “pegar fogo” e no final os novos CEO (ih!, o outro lado vai ficar tiririca) do Inferno golpeariam para deixar os velhinhos e as velhinhas sem nada, como as empresas americanas fazem (veja a ENRON), inclusive fazendo-os voltar da aposentadoria para trabalhar e tentar sobreviver, ainda mais precisando dos serviços do SUS (Serviço Universal Sacana).
Então, logo de cara o SEBRAI (Serviço Brasileiro de Reengenharia Infernal) mandou despedir dezenas de milhares de capetas só pra vê-los sofrer, o que eles agradeceram, pois eram masoquistas condenados a uma eternidade de sofrimentos prazerosos; e os contrataram por 1/3 do salário anterior com o dobro de serviços.
Com esse pessoal, assim todo satisfeito, a firma procurou açular os ânimos dos hóspedes, fazendo-os passar raiva quase como nos bancos e nas repartições públicas. Tocaram fogo na turma, fazendo-a procurar todos os processos desaparecidos, listas de 200 mil páginas de letrinhas miúdas, tipo 5 ou 8, e a proceder a enormes cargas de miudezas inúteis que introduziam novos temperos nas relações. As fofocas corriam soltas: será que os chefes vão pegar fulano para trabalhar depois da hora? Nego ficava torcendo: vai sim, vai sim. O ar condicionado central, claro, estava com defeito, exceto nas salas dos computadores. Os melhores carros, tá na cara, ficavam com os chefes. Freqüentemente os capetinhas iniciantes eram indiciados em processos cabeludos que faziam os antigos estremecer de prazer.
Os chefes faziam previsões de catástrofes: como a China vai fazer quando a economia de lá quebrar, agora que inventou prazer para 300 milhões de nova classe média? Era diabólico! O povo infernal ululava de prazer, chegavam a salivar, mas logo a saliva lhes queimava nos lábios, chiando.
Quanto aos novos preços da energia? Durante quase duas décadas o preço do kWh subira muito além da inflação, desde 1994, e agora iria baixar um tiquinho de nada e só um ano. Era a conta dos pobres diabos urrarem de satisfação. Que coisa, a maldade do Diabão era uma Arte com A maiúsculo.
Alguém dizia: - Esse lugar é um inferno! E os outros respondiam, sabendo que era inviável: - vá pro céu! Há, há, há.
Eles sabiam se divertir.
E os antigos contavam da época em que todo mundo foi induzido a mudar para o álcool nos carros e depois as usinas fecharam as torneiras e os carros todos ficaram nas garagens.
Ah, como eram bons os tempos antigos, suspiravam, as novas gerações não conhece esse tipo de arte-manha.
E ficavam sonhando com os bons tempos.
Serra, sexta-feira, 19 de outubro de 2012.
José Augusto Gava.