Thursday, June 27, 2013

Pró-vocação (da série Conto Tudo Novo)


Tem gente que tem vocação, enquanto outros não têm.
É dom.
Os americanos dizem gift, presente, dádiva.
Nem que seja para o mal, têm.
Teve a mulher que saiu do outro lado da rua de bicicleta, eu sentado na esquina com o labrador, encostou-se à gente e começou a gritar: “segura esse cachorro, segura esse cachorro que ele vai me morder”.
Teve o velho que veio de longe, por trás, o cachorro pulou porque queria brincar e ele: “se esse cachorro tivesse me mordido eu iria te processar”.
Teve o sujeitinho na padaria.
SUJEITINHO (chegando a mim, vindo do nada) – foi você mesmo.
EU – eu o quê?
SUJEITINHO – foi você que brigou comigo e minha mulher no ônibus.
EU – nem te conheço. Primeiro que não sou disso, segundo que seria errado proceder assim.
SUJEITINHO – você deu uma carteirada na gente.
EU – eu, não.
SUJEITINHO – foi, sim, no ônibus.
EU – fui de seletivo de manhã bem cedo.
SUJEITINHO – foi nesse mesmo, que passou por Manguinhos.
EU – não, o meu passou por Laranjeiras.
SUJEITINHO – foi você sim (e foi embora furioso).
É dom.
Dom do Capeta.
A gente pensa que é só Deus que dá dons, mas pode ser que o Cão também faça isso. Gente implicante, que vive para implicar, gente que fura fila sem a menor consideração, gente que provoca guerras e conflitos, que rouba, que furta, que bate em mulher e criança, que trai, todo tipo de gente. Já nasce assim com essa praga ou adquire durante a vida? É uma espécie de vírus? Será que aprimoram a capacidade de provocar?
É vocação?
Teve um que passou por mim na praia e disse que meus amigos estavam esperando na mesa (estava chuvoso, com garoa na beira-mar) e lá estavam os caramujos. Tem os que tocam a campainha da casa, só para te deslocar de onde você estiver (já estão desenvolvendo a maldade desde pequenos).
Não sei se alguém já se interessou em coletar casos, iam chover através da Internet.
Nada tira da minha cabeça que é vocação.

Propa-grande Engan-Nós (da série Conto Tudo Novo)

                        
                       Teve um xereta muito malcriado que estamos tratando de perseguir que fez um livro, aliás, cuidadoso (nunca pensei que o Jonas estava naquela das propinas da fábrica de aviões, puta merda, ele negava sempre, nem me deu uma boquinha, sacana, corno).
Jornalista safado.
Ele pegou os discursos que a gente faz (o filho da puta pegou dos mais recentes 30 anos; na realidade eu queria que ele tivesse pegado mais tempo, ri muito vendo o primarismo, o primitivismo dos companheiros de antigamente – o fato é que viemos emprestar elegância e grandeza ao processo, os novos devem muito a nós, devíamos instituir o prêmio Corrupião Corrupto, seria preciso entregar em surdina e não daria para laurear todo mundo, no máximo 100 por ano, sem choro nem vela) ANTES DAS ELEIÇÕES e comparou metodicamente com o que realizamos DEPOIS DAS ELEIÇÕES (quem começou isso foi o Juruna).
Criou uma PAUTA DE ESCÂNDALOS.
Eu apareço em 12 ou 13, até esqueci o número, mas comparado com os outros é pouca coisa, pensei que estava baixando o sarrafo, mas fui ver que era filhote.
Plotou tudo, vê se pode?!
Em Excel e PowerPoint, fez slides, um horror.
A imprensa deitou e rolou, claro, vamos ter de gastar uma baba do fundo de reserva para emergências.
Disse que é propaganda enganosa dos parlamentares todos, de vereadores a senadores, de governantes, menos de juízes porque estes não são eleitos. Se fosse em papel não dava para acomodar todo mundo, mais de 50 mil contemplados (nem eu sabia que eram tantos; e mesmo assim só de um milhão para cima). E o filho de uma égua indexou todo mundo, de modo que se você digitar J Sarninha 285 dá toda a árvore de ligações, inclusive comigo. TODOS OS LINKS estou te dizendo. Claro, TODOS. De mais a mais, dá as aplicações alternativas: quantos hospitais, escolas, estradas, tratamentos dentários, casas para os miseráveis, proteção de encostas, tenho de admirar o safado, porque foi uma trabalheira do cão. Se tivéssemos esse cara do nosso lado... Na realidade, não sei quanto tempo ele vai durar, vão pegar ele, sem dúvida, eu mesmo dei uns trocados.
Digamos, você pega Lulambão 88, mostra tudo o que poderia ter sido feito com dinheiro desviado, alternativamente, claro: ou tantas escolas ou tantas recuperações de dependentes, etc.
Você tá vendo? O Ministério Público vai imprimir sete milhões de cópias para as escolas e vai incluir no currículo Proteção do Cidadão Votante, vai iniciar campanha pelo Voto Consciente e vai usar a Ficha Limpa a torto e a direito. Tá muito difícil. Vou eu lá saber o que prometi há 18 anos? Por acaso sou responsável pelo que falo?

Projeto Arcanjo (da série Conto Tudo Novo)


                        Os trabalhadores estavam escavando para construir um túnel ferroviário na cidade paulista de Araraquara e depararam dentro da montanha, cravada no granito, o que parecia uma placa metálica arredondada. Chamaram os engenheiros, que chamaram a direção da companhia, que chamou o pessoal da USP.
                        O pessoal da USP, os geólogos Marcelo e Débora, rindo, foram lá ver de perto o “fenômeno”. Pediram para escavar mais, apareceu mais metal. Dataram as rochas, mais de 1,3 bilhão de anos. Gozação dos operários não poderia ser, eles não teriam imaginação para isso, coisa muito elaborada para eles. Alunos, gozadores, mas como iriam colocar metal dentro da rocha? Tudo era muito intrigante. Escavaram mais, acharam mais metal. Como foi na presença dele e em rocha duríssima, acreditaram, ficaram com a pulga atrás da orelha. Foi juntando gente, chegaram outros geólogos, físicos, a reitoria tomou ciência.
O prefeito, querendo chamar atenção para a cidade, fez vazar a notícia para a imprensa, que foi lá e fotografou. O governador foi informado e se afastou do protocolo para ir dentro do túnel tocar o metal.
                        Houve estardalhaço, o executivo federal enviou gente. O Exército acampou em volta do túnel, a área foi interditada, proibida terminantemente. Criou-se uma redoma em volta, com vários hectares de cobertura. Nisso a imprensa nacional toda tinha se apresentado e a coisa vazara internacionalmente. O túnel já tinha sido desviado vários quilômetros, prosseguindo acolá.
                        A escavação continuou.
                        Mais metal foi aparecendo. A tecnociência mundial mais ativa foi trazida, a ONU se interpôs, os governos brasileiro e paulista ficaram ofendidos, a ONU se desculpou. Fizeram mais análises descrentes, sempre com a mesma conclusão, até que lá pela trigésima pararam de vez, sempre com a mesma conclusão inelutável: 1,3 bilhão de anos +/- 50 milhões. Os jornais e as rádios mundiais só falavam disso.
                        A área exposta de metal tinha aumentado muito e para grande surpresa manifestou-se um dedo, imenso dedo de mão de três dedos. Foi ficando claro tratar-se de gigantesca criatura num buraco já com mais de 200 metros de profundidade.
O mundo estava siderado, espantadíssimo.
Considerações as mais extravagantes tinham surgido.
Era Deus? Em todo caso não era antropóide, para grande decepção de alguns. Com certeza mais jovem que a Vida, que na Terra tinha 3,8 bilhões de anos, mas muito mais velho que a Explosão Cambriana de 600 milhões. Se impunha, evidentemente, haver vida noutros lugares do universo. É claro. Grande alívio de uns, porque não éramos os únicos, decepção de outros, porque não éramos os únicos.
Vá entender o ser humano!
Compreensíveis os primeiros, claro, se fôssemos os únicos teríamos uma importância tremenda e Deus não nos deixaria desaparecer, cuidaria de nós, por sermos filhos únicos. Não sendo, estávamos por conta do Abreu, se ele não proteger nem eu.
                        Trezentos e cinqüenta metros na vertical a escavação parou. Custara muito e os acampamentos em volta tinham se expandido desmesuradamente. Vinha gente de todo lugar, mas o interesse fora da comunidade científica diminuíra consideravelmente, porque tudo cansa. O povo voltara às novelas e aos escândalos, os políticos clamavam por verbas a aplicar e faturar no caixa dois.
Alguns abusados pediam dinheiro para “se defender da ameaça extraterrestre”, imagine só! Pois se durante 1,3 bilhão de anos não sofrera a Terra ameaça nenhuma em virtude daquele ser, iria sofrer agora? Contudo, o povo é crédulo e alguns vereadores votaram verbas de “defesa estratégica”. O que viria a ser isso?
                         A criatura não estava na horizontal nem na vertical. Seria aquilo uma prisão? Teria sido encarcerado? Seria um bandido perigoso que os “deuses” da Galáxia tinham misteriosamente enjaulado debaixo da Terra? As hipóteses choviam. Os cientistas tentaram extrair pequenas lascas para análise, mas o metal se recusava a ser sequer arranhado. Também! Para resistir à temperatura do manto onde estivera de início, devia ser muito resistente. E toda aquela pressão do granito em volta?
                         Em todo caso, tinha 527 metros de comprimento por 122 metros de largura. Não se parecida nada com qualquer criatura da Terra, nem de longe. Araraquara tornara-se conhecida no mundo inteiro. Um nome que em português já é difícil de falar, em algumas línguas tornara-se motivo de riso freqüente. Os nativos aproveitaram a onda para lucrar com o turismo e dezenas de construções apareceram em volta, visando aproveitar o fluxo de turistas, que só fazia crescer. Os hotéis da cidade viviam abarrotados.
As cidades da vizinhança aproveitaram a deixa.
                        Proporcionalmente a criatura era mais comprida que larga, em relação aos humanos. Não respirava, não se movia, não fazia absolutamente coisa nenhuma. Colocando aparelhos em toda parte os cientistas puderam medir ondas que pulsavam uma vez a cada duas semanas.
Estava vivo.
Mas o que eram 1.300 milhões de anos?
Não há como medir, está fora de qualquer concepção humana.
Se é que se podia falar de coração, o daquele ente estava pulsando na mesma ordem de grandeza da existência da Terra. Uns pediam silêncio em volta, com medo do seu despertar, mas era tolice, porque a Terra como um todo fazia muito mais barulho do que a humanidade conjuntamente poderia fazer.
                        Passaram-se as décadas, a humanidade continuou a se desenvolver, alcançando níveis inimagináveis antes. A própria presença de criatura tão gigantesca foi motivo para acentuado crescimento geral. Mas ela não dava qualquer sinal. Seria o demônio? Seria um anjo? Talvez fosse um arcanjo. Arcanjos teriam tais dimensões? Como uma criatura assim poderia viver? Nenhum ser pode ter essas medidas, diziam as leis da Física, e funcionar.
Embora não tivessem conseguido nem arranhar o corpo nem conseguir nenhuma informação dessa mente, que deveria ser extraordinária, a simples presença do “anjo” favorecera tremendamente a tecnociência terrestre e todo o conhecimento. “Do nada” a Terra deu um salto rumo ao espaço, desenvolveu-se séculos em décadas e continuou a acumulação exponencial.
Ao longo dos milênios seguintes foi viver em cidades espaciais, dali saiu do sistema solar, a Terra foi recuperada da devastação milenar da ecologia, parte da Vida (fungos, plantas, animais e primatas) ficou, parte foi junto, o planeta tornou-se um Éden novamente, a humanidade o abandonou totalmente, porque os corpos foram modificados pelos novos ambientes em gravidade zeta (γς, gama-zeta, gravidade perto de zero) e não conseguiam mais funcionar a 1,0 G.
Quando a humanidade foi embora as pedras foram reconstituídas em volta do ser e ele voltou à mesma posição de quando fora descoberto. Não que as pedras servissem para algo mais que ocultar dos olhares. Todos os objetos humanos da Terra desapareceram.
Lúcifer estava condenado há muito tempo e seus seguidores confinados em outros tantos mundos pelas galáxias.
Deus não esquece as ofensas.

Pigmeu (da série Conto Tudo Novo)


Pigmeuleão era grande artista.


Grande no sentido da perfeição de suas obras, porque pequeno no tamanho. Era escultor, mas dos mais competentes do mundo, TÃO competente que era comparado aos maiores: Policleto e Fídias, Michelangelo, Bernini, Rodin, Kuebler, Mueck e os hiper-realistas pós-contemporâneos.

A questão toda é que ele era baixinho, entende?
Baixinho MESMO, entende?

Para dizer tudo, 1,42 m, o pessoal fazia ele de roll-on (esse é de um amiga, aconteceu com ele também e bem antes, só que eu nunca tinha pensado nisso) nos ônibus. Apoiavam o sovaco na cabeça dele e ficavam esfregando, parecia desodorante roll-on. Isso quando ele era estudante, depois que enricou nunca mais andou de ônibus.

E teve aquela vez em que indo de Jucutuquara para Camburi jogar futebol pisaram no calcanhar dele e pediram desculpas, um cara grande, ele virou pra mim e disse entredentes: “depois que inventaram essa tal de desculpa nunca mais pude dar porrada num filho da puta!” Nunca esqueci, ele tinha 18 pra 20, faz quase 40 anos.

NUNCA, MAS NUNCA MESMO o chame de Batata, nem os amigos mais íntimos, ele fica uma arara: uma arara pequena, é certo, mas uma arara. Mais de uma amizade esteve para acabar antes que o idiota se desse conta.

E alguns maldosos dizem Pigmeu-Leão. Leão ele é mesmo, um leão pequeno, é claro, um gatinho, mas um gatinho feroz, não fique na frente dele. Por quê as pessoas falam isso? Inveja, eu acho, pela grandeza moral e artística dele, pelo dom, eu creio. Ele sofre, mas sofre em silêncio, não quer dar o braço a torcer, o bracinho a torcer, é certo, mas é resistente, tem estatura moral que falta a tantos.

Agora, chamar de Pigmeu já é maldade. Pior ainda é Pig, porco em inglês, isso nunca, aí já é achincalhe, já dei porrada em três.

De nome mesmo é Tércio, por ser o terceiro filho.
Acontece que o Tércio, com aquele complexo de inferioridade que tem e que não deveria ter, em vista de sua grandeza artística, queria mulher, como todo macho quer mesmo, mas um mulherão, e pôs-se a esculpir, camarada, aquela foi demorada, porque a par de suas tarefas e das numerosíssimas encomendas todas caras ele queria detalhes, daí demorou meses, demorou anos. Encomendava um bloco, começava, quando já estava na metade ficava com raiva, quebrava tudo. Começava outro e depois de dois anos e meio de trabalho um detalhezinho não encaixava e ele rebentava tudo com marretas, claro, marretinhas que eram como martelos para os outros, mas para ele era marreta e pronto.

Então, lá pela sétima ou oitava tentativa, ficou pronta e fosse pelo que fosse Pigmeuleão ficou apaixonado. Xonadinho! Doido de pedra.

Ele colocou o nome de Gala Téia.
Pois é, a Téia despertou para a vida e de início via somente o Tércio, não via mais ninguém, ficaram de amores; com o tempo e as visitas a Téia conheceu um moço de barriga de tanquinho, saradão, cheio de músculos, alto, pouco mais de 1,80 m, ela que tinha 1,73 m, se apaixonaram e fugiram juntos, Tércio ficou a ver navios que ele mesmo fazia. Por quê não construiu a formosíssima de 1,35 m, pouco menos que ele? Eu falei, mas conselho adianta?

Desde então ele nunca mais fez nem um pirulito de pedra, parou de esculpir, está vivendo de rendas em Nice e a chama de Galinha.

Eu disse:
Tércio, não faz isso.
Ele quis me ouvir?

Pé de Valsa (da série Conto Tudo Novo)


- É?
- É, sim. Por exemplo, no Brasil eles não pegaram, exceto no Sul, onde em colônias alemães parece que há alguns exemplares, mas mirradinhos, nunca esplendorosos como os austríacos. Na Áustria os Strauss foram grandes desenvolvedores de Valsa, cultivaram muito, expuseram grandes exemplares. Não só eles, outros também.
- Lá isso é, fora engano não se dão muito bem na América Latina, até onde fui, nem, parece nas América Central e América do Norte, pelo menos que eu saiba, talvez o plantio tenha sido deficiente.
- Será que só dão na Europa?
- Não posso afirmar, teríamos de pesquisar com os maestros, mas assim de pronto, dentro da minha memória não há nada na China, na Índia, sequer no Japão, onde eles assumem e desenvolvem tudo. Foram bons em lentes, carros, (se deixassem, aviões e satélites), em computadores, em tudo mesmo, exceto em valsas. Lá não frutificou. Você sabe de alguma?
- Não, é estranho mesmo. Eu, por exemplo, já pesquisei na Internet e nada. Talvez eu tenha sido incompetente ao perguntar.
- Que nada, eu também já perguntei.
- É esquisito. Será que o pé de Valsa não se adapta? Talvez seja o jeito de colocar na terra ou falta cultura? Será que faltou alimentar direito, faltou conhecimento? Alguém tentou transplantar para esses lugares?
- Taí uma coisa curiosa, acho que vou pesquisar. Vamos começar pela universidade.
- Não sei se será útil, a universidade não dá bola para as coisas importantes.


Parece Ficção (da série Conto Tudo Novo)


- Todos prontos para saltar?
Todos responderam a uma só voz pelo canal subetérico, uma capa de inumeráveis seres postos a ½ ano-luz do Sol, para além da Nuvem de Öort:
- Sim.
E saltaram.
60 bilhões de seres-naves, seres-novos expandidos das formas de vida antigas e construídos saltaram rumo à Galáxia, uns para perto, na Constelação, outros para bem longe atingindo velocidades sub-luz.
Iam colonizar.
Corria 2150 e apenas 150 anos antes era julgado impossível, as pessoas tinham feito “previsões lentas” de que demoraria milhares de anos. É verdade que não sabemos pré-ver.
Por todo o Primeiro Sistema trilhões de criaturas estavam ligadas a seus irmãos e irmãs voadoras, milhões de baleias-expandidas, golfinhos-expandidos, primatas-expandidos, humanos-expandidos, elefantes-expandidos e outros como androides e ciborgues de todos os tipos, robôs e computadores, todos eles voavam, enquanto os que ficavam nas cidades celestiais voltavam a suas atividades de colonização interna.
Depois de descoberta a ligação cérebro-cérebro, depois de inventados os primeiros seres-novos a expansão foi rápida, exponencial. Não havia mais seres isolados, todos estavam conectados. Nem as naves espaciais que surgiram se assemelhavam àquelas planejadas pela FC, de modo nenhum. Cada ser estava ligado a todos os outros e para todos os efeitos era entidade única com quatrilhões de células racionais entranhadas em meteoritos-cidades, em ciclo-cidades, em planetas e satélites, em toda parte, construção em expansão geométrica crescendo a ritmo avassalador – todo o Sistema estava sendo devorado metro cúbico a metro cúbico, preparado o espaço para os SN e os planetas e satélites para a vida orgânica restaurada que estava sendo ajudada a evoluir lentamente até adotar as formas mínimas conexas com a racionalidade.
Tinha raiado a terceira natureza informacional-p.4 (quarta ponte) e cibernética-X4. Ela já não se via como humana, mas mantinha o nome em homenagem aos Primeiros: e desse jeito, há 300 anos a Humanidade saltou, colonizando toda a Galáxia.
Agora, pergunto: estão prontos para saltar?
- Sim.
E saltaram. Para Andrômeda e as Nuvens e para além do Grupo Local.

Panaceia Universal (da série Conto Tudo Novo)


Assim, sem mais nem menos, aconteceu de Samira deparar com essa fórmula. Na realidade, não foi totalmente ao acaso porque havia preparação tecnocientífica, ela era doutora longamente treinada: nesses casos de visão ampliada, vê-se muitos mais coisas em muito mais oportunidades. Serendipitia, nome difícil para falar de acaso e necessidade, fome e vontade de comer, sorte e atenção.
Por acaso ela manipulou o gel e dias depois começou a se sentir bem demais. Todas as suas dorzinhas daqui e dali que começam a aparecer aos 40 e aos 50 se instalaram em definitivo foram sumindo aos poucos, ela começou a reparar, e meses depois foi como se tivesse de novo 20 anos e poucos e não 50 e poucos.
Primeiro ficou espantada, depois eufórica.
Deu um jeito de colocar no leite do namorado: a mesma coisa, ele começou a melhorar, a artrite foi sumindo, os cabelos pararam de cair e voltaram a nascer pretos, eles conversaram, decidiram dizer que ele tinha começado a pintar o cabelo depois do implante.
Ela fez uma vitamina de banana que sabia que a amiga com cefaléia crônica gostava de tomar. Não só curou a dor de cabeça de décadas como também todas as demais dores, a amiga achou que era milagre, ela não falou nada, não antes de patentear.
Patenteou: Vidanova.
Era, literalmente.
Ela começou a imaginar no mecanismo bioquímico responsável pelos efeitos, foi se aprofundando, aprendeu muito sobre equilíbrio hormonal, mas não pôde ir até o fim porque a fabricação em série depois que saiu da empresa começou a tomar o seu tempo. Fez sociedade com o agora noivo, breve o marido: 1 % já era muito. Amor, amor, negócios à parte. Pegaram capital, os bancos ficaram ansiosos.
Colocaram nomes insossos como subtítulo: defesa hormonal, equilíbrio homeostático, regularização sistêmica. Dizia a verdade, mas era ao mesmo tempo vago.
As pessoas começaram a comprar pensando que servia para uma coisa e iam melhorando de tudo. De tudo, mesmo. E se lançavam à propaganda de boca. Claro, se um remédio melhora a doença, ninguém precisa tomar outro remédio, OUTROS remédios, TODOS os remédios. As pessoas pararam de comprar os outros remédios, dezenas de milhares de fórmulas. De início eram poucos a tomar Vidanova, depois foram muitos e o número foi crescendo.
As empresas farmacêuticas, acreditando que aquilo não iria durar, que rapidamente o Vidanova iria mostrar seus defeitos, não se preocuparam; os meses passaram e dentro de um ano o rombo era enorme. Fábricas fechavam por toda parte, havia desemprego crescente no setor, diretamente, relativo a fabricação de caixas, de tintas, de planejamento, de propaganda. Transportes, estocagem e foi em frente, derrubando dominó por dominó.
As empresas tentaram comprar a empresa Vidanova (que não tinha se diversificado), mas Samira e o marido foram inflexíveis, pensando não somente nos lucros como também na felicidade das pessoas, pois a compradora poderia desativar o produto, bem como falsificá-lo para lhe trazer má fama. Mil coisas poderiam fazer. O dinheiro entrava aos borbotões: bastava uma dose mensal e tudo corria às mil maravilhas.
Do Brasil a empresa Vidanova se espalhou pelo mundo, não havia fronteiras, todos os países queriam comprá-lo, os governantes tanto quanto os governados. Vidanova não fazia distinção de cor, de sexo, de idade, de classe social: curava a todos.
As empresas entraram em pânico.
O pânico não é bom conselheiro.
Milhares ficaram desempregados, centenas de milhares, milhões.
Vidanova não curava só o corpo, de repente começou a curar as doenças mentais, as pessoas se sentiam “numa ótima”, “numa nice”. Desapareceu a compulsão de mentir e enganar. A sonegação reduziu-se a zero, todos pagavam corretamente os impostos, os cofres dos governos começaram a encher, uma nova harmonia reinou, os governos ficaram satisfeitos. Os governados também, porque indo embora o “caixa dois” sonegador das empresas com isso os desvios de verba também desapareceram e obras maravilhosas passaram a ser feitas, ainda mais porque as empresas faziam toda questão de colocar os melhores materiais e de zelar pelo cumprimentos dos prazos, ajudavam na medição correta das obras, entregavam verdadeiras obras primas.
Bom, se não há sonegação, para quê fiscais? Os fiscais foram encostados, não havia mais concursos. Se não há conflitos, para quê juízes, promotores, advogados, ministério público? Para quê legisladores, se as pessoas desejavam fazer as coisas certas e não precisavam de leis para isso? Lá se foram todos esses do Judiciário e do Legislativo. O Executivo precisava de pouca gente.
E ademais, para quê forças armadas, se ninguém mais desejava fazer guerra? Ninguém queria matar e os alistamentos caíram a perto de zero, no máximo os soldados da ONU cuidavam da defesa civil, com grande número de voluntários, pois todos se ofereciam para ajudar.
Quase todos.
Uns dentre os empresários fizeram uma reunião para ver como matar a Samira e destruir o Vidanova...



NOTA: de modo nenhum prego a continuação da baderna atual, pelo contrário, Vidanova é extremamente necessário a todos nós.

Panaceia Universal II (da série Conto Tudo Novo)


- Estive pensando.
- É? É porisso que você está com dor de cabeça?
- Rá, Rá, Rá. É o seguinte: a morte livra a gente de todos os problemas, acho que é porisso que as pessoas dizem “descansou” quando o sujeito morre.
- Só que para “descansar” é preciso estar vivo.
- Me deixe falar, caramba.
- Fala.
- Então, podíamos anunciar a morte como solução geral, panaceia universal. Um produto chamado Morte.
- Essa foi a maior bobagem que você já disse. E olhe que você se supera continuamente.
- Rapaz, você já viu as propagandas que existem por aí? Para as coisas mais cretinas do mundo. Eu nunca tinha lido o Dilbert, mas decidi ler, comprei e achei ótimo. Selecionei umas passagens para você.

PASSAGENS NA ESTAÇÃO DILBERT (Scott Adams)

LIVRO, PÁGINA                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
CITAÇÃO
2, 10
“Combina tendências passadas irrelevantes com a ignorância e a cobiça do usuário”.
2, 12
“Aí sou pago, compro algum produto desnecessário e me sinto melhor novamente”.
2, 46
“Isso não passa de uma vigarice, criada para convencer estagiários ingênuos a comprar placas caras e inúteis para pendurar na parede”.
3, 40
“Preciso montar hipóteses irrealistas pra defender um péssimo projeto”.
5, 27
“Portanto, só resta a fraude, que eu gostaria que vocês chamassem de ‘marketing’”.
5, 29
“Utilizo um processo que os experts denominam ‘desonestidade’”.
5, 37
“Sim... Um amontoado de informações inúteis e conclusões sem fundamento”.

                        - É, olhando por esses prismas, pode dar certo, sim. O que você propõe?
- Primeiro temos de contratar firma de propaganda. Depois um advogado. A seguir, mais adiante, um contador de confiança que separe uma grana para o caso de sermos presos e outra para corromper os políticos e governantes.
- É, você tá se esquecendo do governo.
- Não, ele já tá ocupado com as patifarias dele, não vai prestar atenção na gente. Ademais, podemos dar participação, sem falar em fazer propaganda dos tributos que nem somos nós que pagamos.
- Como iríamos fazer?
- Acho que vender em pílulas, para bula pegamos os efeitos colaterais de qualquer remédio, o povo nem lê. E se ler vai pensar que corre riscos necessários. Certamente vamos frisar que acaba com os problemas das pessoas: “depois de tomar Morte você não verá mais problemas”. Ou “seus problemas findarão”. Ou “você nunca mais irá sentir dores”, nem precisará gastar dinheiro com outros remédios. “Dê adeus a sua sogra”.
- Pô, legal. De passagem vamos resolver o problema da superpopulação planetária, acomodando a gente toda ao nível de pesquisa & desenvolvimento da tecnociência, à frente de ondas da tecnologia.
- Isso! O Clube de Roma vai dar verbas, o Bilderberg, a Trilateral, um monte de gente.
- E os governos, por trás dos panos.
- “Morte, mate todos os seus problemas de uma vez”.
- “Morte, você não terá mais dívidas nem dúvidas”.
- “Ser ou não ser, eis a questão”.
- Vamos conversar com os sócios.

Ouvindo Uma Voz (da série Conto Tudo Novo)


Nacom.
- O que é?
Nacom.
- Fala, caramba.
Nacom.
- Ih, emperrou, fala logo, ô doidão.
- O Senhor me mandou.
- Que senhor, como é o nome dele?
- O Senhor, com S maiúsculo, Nacom.
- Ah, O Senhor. Tá bem, fala logo.
Pigarreia, empoa a voz, fala grosso como os mensageiros divinos.
- Ó Nacom.
- Ih, é hoje. Vem cá, você não pode ir falar com Abdus Salam?
- Quem é Abdus Salam?
- Sei lá, um árabe qualquer, inventei agora.
- Peraí, vou consultar a NETCÉU. Ah, não posso, ele já morreu, 70 anos, paquistanês, o Senhor precisava dele para resolver umas equações de Física avançada que estavam meio emperradas.
- Tá bom, então pega outro árabe.
- Não posso, eles pensam que sou Djinn.
- E eu com isso? O que é Jin? Algum tipo de bebida?
- Djinn. É um ser sobrenatural, um gênio e aí tenho de conceder três desejos, sou só uma Voz, tenho mensagens para entregar, se você quiser entender assim, uma espécie de mensageiro, como Mercúrio.
- Você é um planeta?
- Não, o deus mensageiro romano, Mercúrio, ou o deus mensageiro grego, Hermes, portador das mensagens, só para você entender.
- Não entendi nada.
- Tá bom, deixe pra lá.
- O caso é que tenho uma mensagem pra ti.
- Pra ti, por acaso sou carioca? Pra ti, pra tu, que diabo é isso?
- Tá difícil, Senhor.
- Fala logo que tenho jogo de porrinha na esquina daqui a seis quadras, no bar do Dionísio. Aliás, como vou saber se você é uma Voz, mesmo?
- Lembra-se do que Einstein disse pro cozinheiro dele?
- Ah, já vi esse livro na livraria, não comprei, vou lá gastar dinheiro com coisa de mulher, esse negócio de cozinha.
- Então, se eu fosse coisa de sua cabeça como iria saber uma coisa que você não sabe?
- Tem tanta coisa que não sei... Tá bom, vamos dizer que seja mesmo uma Voz, entrega logo essa merda de mensagem e me deixa ir, que a turma tá me esperando.
- Você vai lembrar?
- Vou, que troço difícil, meu Deus. Por quê você não pega a Dilmandona?
- Ela tem muitos ministros em volta, não consegue ouvir nada, além de pensar que é Deus (ou a deusa).
- Então pega o Lula, quando ele ouvir uma Voz vai pensar que já tá indo. Qui, qui, qui.
- Não dá, Nacom. A mensagem agora está direcionada, você tem um grande papel a cumprir.
- Entrega logo ESTA MERDA que as guias que tomei já tão esgotando o potencial, vou ter que reabastecer no primeiro bar, antes mesmo de chegar ao Dionísio. O pessoal vai me capar.
- Presta atenção, Nacom, o Senhor mandou dizer a você pra você dizer aos outros que o negócio dos maias é a sério mesmo, o mundo vai acabar em 21 de dezembro, aliás vai mudar completamente, mas isso pode ser alterado se (buzina no ouvido de Nacom). Você vai lembrar?
NACOM (aborrecido) – é claro que sim.
- Não esquece, hem, é importante.
Nacom saiu dali, bebeu todas, esqueceu, viveu feliz até 21 de dezembro, mas havia um grilo buzinando na consciência dele, parecia que tinha um recado para alguém, que coisa chata.

Otimismo Multiplicador ou - em termos científicos - O Fator Excedente na Superafirmação do Ótimo Frente à Superafirmação do Péssimo (da série Conto Tudo Novo)

O conceito é de um amigo, tomo-o emprestado.


      Extratos do debate sobre a Tese Dissertativa do Formando em Engenharia Especulativa da Universidade *, Jonas Oriundi.
      - Jonas. Posso chamá-lo de Jonas?
      - Pode, claro.
      - Então, Jonas, explique para a plateia sua tese, se não for muito difícil.
      - Claro que não, é simples. Você toma café?
      - Tomo, sim, com gosto.
      - Pois você sabia que com o seu vulgar cafezinho pode comprar um carro?
      - Não sabia, não. Com um cafezinho?
      - Pois, então. Não, com vários. Vamos supor um café a 0,75 e um carro a 75 mil: com quantos cafés você pagaria esse carro de valor bastante significativo?
      - Não sei.
      - 100.000. E quantos dias dá isso?
      Abobado, olhando para a plateia.
      - Nem faço ideia.
      - Ô, 100.000 dias ou pouco menos de 274 anos. Use o seu note.
      Faz as contas.
      - É mesmo.
      - Pois, é. Mas ninguém (dizem) vive 274 anos, de forma que se você toma 10 cafés por dia...
      - Tomo mais que isso, sou viciado.
      - Eu também. Se parar de tomar dez por dia, baixa para 27,4 anos, menos de 30 anos.
      - Então, eu que estou com 45, se parar agora aos 75 consigo um carro de 75 mil? Até coincidiu.
      - Viu?
      - Poxa, estou pasmo.
      - Pasmado.
      - O quê?
      - Deixe para lá.
      - Fala mais, estou ficando animado.
      - Vamos supor que você faça guarda-chuvas. Se fizer um desses Ching Ling vendidos barato por 10 e ganhar dois reais em cada, vendendo mil são dois mil reais, vendendo 10 mil são 20 mil, vendendo 100 mil são 200 mil por mês.
      - Certo, e a concorrência?
      - Não atrapalhe o raciocínio.
      - Hum, mas não é preciso que chova para as pessoas comprarem?
      - Você tá querendo atrapalhar.
      - Tá bom, tá bom, continue.
      - Quantas pessoas há no mundo?
      - Sete bilhões.
      - Então, imagine que você venda pra todas. São (7.000.000.000/100.000, x 200 mil =) 14 bilhões/ano.
      - E os bebês de colo?
      - As mães compram para eles. Ou os pais.
      - Entendi. Uma fortuna.
      - Ou se a humanidade continuar a crescer a 1 % ao ano, em quanto estaremos em 200 anos?
      - Não sei fazer essas contas. Você sabe, plateia?
      - NÃO.
      - y = a.xn = 7.109.1,01200 = 51 bilhões, vai multiplicando por 7, em 400 anos 350 bilhões, em 600 anos 2,2 trilhões, ocuparemos a Galáxia inteira.
      - A matemática é tão sublime, né mesmo? É maravilhoso! Eu não sabia disso, é fantástico. Você vê: ocupar a Galáxia inteira em 600 anos. Você já se formou?
      - Não, estou no segundo ano.
      - Puxa, tanta sabedoria em tão pouco tempo.
      JONAS (modesto) – faço o que posso.

Os Segredos Revelados do Presidente (da série Conto Tudo Novo)

                          
                         Depois daquela vez em foi confrontado pelo assessor e pelo general, passados seis meses o presidente começou a pensar que afinal de contas os EUA eram o país mais importante do mundo, a única superpotência que sobrara, dotada dos maiores a arsenais atômicos; que ele era comandante-em-chefe das Forças Armadas disparadamente mais preparadas do planeta, o FBI, a CIA e a NSA o obedeciam; o DoD (Department of Defense) tinha verba de mais de 400 bilhões (mais que muitos países).
                         Foi pensando, tomou coragem.
                         Não vou deixar que me manipulem.
                         O presidente resolveu falar à Nação daquela conhecida tribuna que aparece nos filmes, testou o microfone e foi direto ao assunto.
- Senhoras e senhores, tenho fatos muito graves a contar. Não aguento mais a pressão. Há forças ocultas coagindo-me com objetivos inconfessáveis... (e falou por mais 10 minutos, contando tudo).
Ao cabo do desabafo a sala esta em absoluto silêncio, embasbacada.
Ficou assim três minutos inteiros, ouvia-se os corações baterem.
Depois, no meio do grupo de jornalistas um sorriu levemente, mais adiante outro, uma jornalista começou a rir, outros a gargalhar, todo mundo caiu na risada, a tensão se fora. A sala vibrava com os risos, alguns passavam mal.
- Presidente, essa foi muito boa.
- A melhor, Senhor.
- O Senhor conta boas piadas, mas essa foi de longe a melhor de todas. O Senhor deve ter passado meses elaborando, foi fantástico, fiquei todo arrepiado, pensei que ia falar da Área 51.
- Puxa vida, nunca ri tanto na minha vida.
O Presidente ficou sem ação, retiraram-no da sala, que voltou a gargalhar de gente rolar no chão.
- Gente, esse cara é bom.
Passados três meses a filha do presidente se acidentou junto com o namorado, que depois de duas semanas em coma morreu; ela escapou “por milagre”, parece que o airbag dela funcionou e o dele, não. Mais 40 dias, mal ela tinha se recuperado do choque, o cachorro da família morreu sufocado com a mesma comida de sempre, foi inexplicável. De noite nesse mesmo dia o filho foi assaltado na universidade. Mais duas semanas e a esposa perdeu coisas num shopping super-frequentado e apesar dos seguranças.
Nem seis meses mais e descobriu-se o envolvimento do presidente, enquanto governador, com superfaturamento, embora ele negasse tudo – vistos os papéis constatou-se que eram verdadeiros até o detalhe. Isso se espalhou muito, porque ele se elegera com base numa administração purificada dos erros e dos excessos. Nem bem transcorreram outras três semanas e uma tia-avó morrera ao escorregar no banheiro.
E assim foi pelo ano inteiro após o pronunciamento.
Um ano e meio a seguir à posse um abatidíssimo presidente aparecera na mesma sala, com muitos cabelos brancos, que ele nem tentara disfarçar. Rugas profundas cobriam seu rosto macilento.
Como era seu estilo, mais uma vez ele foi direto ao assunto.
- Meus concidadãos, um ano atrás fiz uma brincadeira com vocês e embora vocês tenham rido bastante, pelo que fiquei feliz, após esse ano de sofrimentos, analisando e ponderando bem a situação compreendi que Deus me puniu pela falta de seriedade; que um presidente não pode nem de brincadeira dar a entender coisas assim. Chefio um país inteiro, 300 milhões de habitantes que precisam da minha direção firme e correta e não me permitirei mais esses escorregões.
Saiu sob aplausos.
Fosse pelo que fosse daí para frente tudo correu bem na vida dele e no fim do mandato foi reeleito para outros quatro anos, pois se descobriu que os papéis que o comprometiam tinha sido falsificados com perfeição por um desafeto, agora preso.
Remoçou, pintou o cabelo e foi silenciosamente feliz como colaborador.

Os Abomináveis Homens dos Novos (da série Conto Tudo Novo)

JESUS PREVENIU


Mateus 18:6
Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.
Mateus 18:6
Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.

Agora os paidófilos, os padrófilos, os pedófilos, todos esses que machucam ou pervertem as crianças, sejam homens ou mulheres, esses estão definitivamente condenados.


Pois Jesus vos disse que seria enviado o Advogado = C = ANJO e assim foi e o Advogado vos condenou perante o Senhor. E agora que foram julgados e condenados, eis que não tarda a execução da pena. 

Existem limites para a tolerância.

(ver: "símbolos dos pedófilos" na internet)

Os 1260 Dias de Nostradamus (da série Conto Tudo Novo)

PREÂMBULO


APOCALIPSE
3 anos e meio, um tempo, dois tempos e metade de um tempo, 42 meses e 1260 dias são sinônimos e representam inexatidão de tempo”
NOSTRADAMUS
“escreveu doze Centúrias com 975 quadras poéticas”


- Como sabemos, nosso mestre escreveu 1.260 quadras, juntando as 975 quadras com os 141 presságios, as 58 sextilhas e as frações que só nós conhecemos. Se as pessoas soubessem que são 1.260 imediatamente fariam a comparação com a previsão de São João, que lhe foi ditada pelo Senhor Jesus. Porisso as ocultamos.
- Provocaria pânico, mestre.
- Sim, 21.
- Enquanto São João revelou a quantidade de dias e deu o panorama geral, nosso mestre explicitou COMO se daria CADA ACONTECIMENTO, PRECISAMENTE. O último dos dias corresponde ao “fim do mundo”. É profecia, é para acontecer mesmo, exatamente. Contudo, não podíamos permitir que interpretassem, porisso nós mesmos tratamos de falsificar as anotações e encontrar paralelos aqui e acolá, induzindo as pessoas a pensarem que se tratava do curso da história e não do fim dela.
- Isso nós fizemos razoavelmente bem. As pessoas ainda não prestaram atenção, graças ao Senhor, que se trata de três anos e meio.
- É claro, 7, o mundo entraria em colapso. Já vai ser um horror quando acontecer, pois o que são três anos e meio? Um suspiro, mesmo para uma criança. Três anos e meio, diga-se de passagem, que são de puro terror, pois nosso mestre via nitidamente na bacia, como se fosse agora um desses televisores 3D de colocar no chão e que projeta as imagens para cima. Ainda não entendemos o mecanismo, talvez fosse mesmo, algum transportado para o passado. Mesmo nesses quase 400 anos ainda estamos sem saber como.
- E as providências de proteção, mestre?
- Caro 2, todos fizeram os relatórios de seus países, os túneis estão escavados, os alimentos estocados, as pessoas da próxima civilização escolhidas por seus méritos e competências (vai ser duro perder os entes queridos, mas não há jeito de levar todos), os remédios e as fábricas, os ambientes de produção para a reposição genética, enfim, tudo foi minuciosamente conferido e reconferido. Os livros e os filmes que desviam a atenção foram feitos.
- Todos nós estamos sofrendo, mestre, a carga é grande, mas a tarefa é clara, o Senhor Jesus enviou o recado, nosso mestre estabeleceu os parâmetros para que tivéssemos plena confiança de como sucederá PRECISAMENTE.
- Sim, 8. Só que não atinávamos QUANDO COMEÇARIA e tivemos todos esses séculos para pesquisar. Ele cifrou muito bem, não fosse cair nas mãos dos maus. Sim, meus irmãos, descobrimos a chave: começará dentro de dois anos, em 17 de maio.