Thursday, October 31, 2013

Nascendo no Inglês (da série Expresso 222..., Livro 2)


Nascendo no Inglês

 

                        Os países onde se fala o inglês como primeira língua são, em conjunto, extremamente poderosos, vastos em área, progressistas, estáveis por enquanto, ricos, em geral bonitos, à frente deste tempespaço, organizados, etc.

                        Só ficam atrás, em termos de falantes, do mandarim, a língua oficial da China (embora o país tenha 1,3 bilhão de habitantes, ele é falado por pouco mais de 700 milhões de indivíduos de dentro, fora os chineses espalhados pelo mundo, e os que, tendo outras língua, como o min, o vu e o cantonês, que são as principais depois dele, devem comunicar-se através do mandarim como língua secundária).

                        Mas devemos lembrar que o inglês é a língua secundária de muitos países, por exemplo, da Índia, que esteve sob domínio da Grã-Bretanha, e outros, cuja renúncia à Comunidade não significou afastamento total do idioma. E todos os que, mesmo no Brasil, falam ou escrevem, ou ambas as coisas, ou estão aprendendo-o.

                        Dizem que 80 % dos textos produzidos no mundo são vertidos para o inglês, além dele ser a língua universal da Internet.

                        Portanto nascer em países assim já é um “adianto”, como diz o povo. É uma vantagem notável, em termos de facilidade de sobrevivência. Não resta dúvida. Poder contar desde o nascimento com tão largas fronteiras em tantos setores da Vida-racional deve ser algo de extraordinário, absolutamente cativante. Músicas e todas as tecnartes do corpo, tudo disponível para o engrandecimento das pessoas (indivíduos, famílias, grupos e empresas) e ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundo). Quem não quer?

                        Sopa de minhoca, como dizemos, ou piece cake (pedaço-de-bolo), como dizem eles.

                        Facilidade todo mundo quer.

                        Alternativamente, pensemos que os desonestos levam muito maior vantagem, podendo dispor de rendas não-declaráveis ao IR. Realmente, um mundo de facilidades, se podem mentir e enganar, e com isso acumular regalias indisponíveis aos honestos.

                        E quanto aos honestos?

                        A luta é pela sobrevivência do mais apto, e sobrevivem tanto os honestos quanto os desonestos, 50/50. Ambos são aptos na seleção artificial/psicológica/racional/humana.

                        O que acontece é que os honestos são obrigados a desenvolver seus músculos mentais, a pensar mais, a raciocinar continuamente, pois dispõe de menos recursos. É transparente que são os honestos que estão elevando a humanidade. Se dependesse apenas dos desonestos a humanidade voltaria ao brejo da indiferenciação de onde saiu há 200 milênios na África, com a Eva-mitocondrial e o Adão-Y, que surgiram mais ou menos no mesmo tempo e lugar, pouca distância um do outro.

                        Os honestos são forçados a aguçar sua capacidade mental continuamente, assim como os humanos, não dispondo de garras nas mãos e nos pés, nem de presas na boca, ou chifres na cabeça, vimo-nos forçados ao artifício da ampliação da inteligência, ou não sobreviveríamos para ter prole, para deixar herança genética ao futuro.

                        Entrementes a desonestidade é sempre elevada em paralelo, exercida num patamar cada vez mais alto, também, porque a coisa toda é estatística. A honestidade dá um passo adiante e a desonestidade morre no modo velho e renasce no nível seguinte.

                        As facilidades levam ao cemitério, porisso nascermos todos no inglês nos levaria à indolência, pois tudo já estaria pronto e acabado. Nascer em posição “inferior”, menos favorável, obriga-nos a enfrentar desafios e problemas muito mais agudos, a afrontar tempestades mais furiosas e provocantes.

                        Como já aconteceu com todos os povos, inclusive esses que são agoraqui adiantados e já foram um dia atrasados.

                        Quais sobreviverão?

                        Serão aqueles que resolverem maior número de problemas, não os que já os encontraram resolvidos, pois os ambientes estão mudando continuamente, e as pessoas também.

                        Embora possa ser um contratempo, é também, a prazo mais longo que a imediata comodidade, um benefício no sentido de um aprendizado mais vasto, sensível, cuidadoso.

                        Se eu pudesse ter escolhido, mesmo levando em conta essas dificuldades bastante rigorosas de não ter nascido na cultura inglesa ou anglo-saxã, teria mesmo preferido nascer numa cultura diversa, por exemplo, esta do português-brasileiro.

                        Dá mais trabalho, sem dúvida, mas é mais estimulante e melhor. No fundo dá mais prazer ser do contra, não estar no time frouxo, petulante, arrogante, acomodado, auto gratificante dos contentes.

                        Nós estamos aqui, com poucos recursos e em posição desfavorável, mas é porque somos mais fortes. E daqui não vamos sair, nem que a vaca tussa.

                        Vitória, terça-feira, 07 de maio de 2002.

Museu da Colonização do ES (da série Expresso 222..., Livro 2)


Museu da Colonização do ES

 

                        Por colonização as pessoas têm entendido o estabelecimento de colônias e o período inicial do processo, por exemplo, o Brasil colônia, quer dizer, antes de ser reino unido com Portugal e Algarves.

                        No modelo tenho escrito coloniz/ação, o ato permanente de colonizar, de criar colônias. Uma colônia de pólipos não é transitória, é duradoura, e colonização poder ser entendida como o processo contínuo de criação.

                        Desse jeito a colonização do ES nunca teria terminado, uma vez começada pelos portugueses. Nem sequer a colonização pelas sucessivas cargas de índios, a mais antiga, segunda consta agora, de 15 mil anos antes de Cristo sendo substituída por outra leva de 12 mil a.C. (ambas vindo pelo gelo que cobriu o Estreito de Bering na mais recente glaciação), que deslocou e matou parte dos migrantes precedentes, e ainda outras vindo da Ásia e Oceania já em tempos históricos, que também destruíram as anteriores, por certo estabelecendo as culturas maia, inca, chimú, etc. A partir de 1500 os portugueses e outros europeus entraram e mataram as turmas anteriores todas.

                        Os portugueses abriram espaço para os europeus em geral, trouxeram pela escravização os negros, submeteram os índios e finalmente vieram os asiáticos e hispano-americanos do oeste da América do Sul, criando uma mescla extraordinária de que o futuro fica encarregado.

                        O resultado é que o Brasil todo, em especial o ES, está em processo de colonização, que não termina nunca.

                        Falar desse processo, e dos objetos que gerou, seria tarefa de um museu. Como tudo no modelo, cada palavra se separa (e se junta) através dos pares polares opostos/complementares.

                        Os museus (Museu: em maiúsculas conjunto ou família ou grupo de museus) podem ser de todas as palavras do dicionário. Em particular, podem ser dos ambientes (mundo, nações, estados, municípios/cidades) e das pessoas (empresas, grupos, famílias e indivíduos – dificilmente há tanto interesse em criar um museu para os indivíduos, mas há-os tão grandes e destacados da massa que é mesmo importante, e até fundamental, como para os maiores sábios e santos, e os iluminados, fazê-lo). Podem ser patrocinados tanto por ambientes quanto por pessoas, e podem analisar tanto uns quantos outros.

                        Podem ser abertos e fechados a visitação pública ou a pesquisadores. Podem ser estáticos, dinâmicos e estáticos/dinâmicos, mecânicos. Estáticos seriam os de guarda, apenas, e dinâmicos seriam os de visitação e aprendizado.

                        Ora, sugeri outrora que no antigo (depois vendido ao eES) Clube Saldanha da Gama fosse construído um Museu de Colonização do ES, e as pessoas logo entenderam que seria um museu de coisas antigas, nos quais os visitantes chegam, olham (“é, interessante”), viram as costas e vão embora.

                        Não precisa ser assim, pode ser um museu ativo, particip/ativo, co-labor/ativo, cri/ativo, superl/ativo – mágico/artístico, teológico/religioso, filosófico/ideológico, científico/técnico e matemático do ES, povo e elites, povelite/nação.

                        Pode ser um grande museu, respeitado e amado.

                        Como é que as pessoas quase sempre apequenam as coisas?

                        É desse apequenamento que vem o fracasso, pela falta de projeção própria e alheia, pelo desinteresse, pela existência sombria e pessimista, pela renúncia, pelo afastamento.

                        Não!, podemos ser vibrantes, emocionantes, gigantes, comunicantes, tocantes.

                        Podemos contar tudo como uma geo-história das emoções, dos sentimentos, das razões, das percepções, das dores, das decepções dos capixabas. Por que essa diminuição contínua do que é nosso?

                        A colonização é para sempre.

                        Vitória, quarta-feira, 15 de maio de 2002.

Internet em Horário Nobre (da série Expresso 222...)


Internet em Horário Nobre

 

                        Tendo surgido como ARPANET militar-científica na década dos 1960 nos EUA, para proteger os serviços vitais da nação em caso de conflito termonuclear, a evolução dela veio dar no que é hoje a Internet, consolidada em 1989 no mundo e a partir de 1995 no Brasil.

                        Em apenas sete anos a Internet daqui “explodiu”, deu saltos tão grandes que não há quem não tenha ouvido falar dela.

                        Se foi assim em apenas sete anos, que será do futuro?

                        Imagine se poderíamos prever, apenas sete anos após o lançamento do primeiro veículo no século XIX, o que é hoje essa enormidade de carros circulantes?

Há gente que faz exercícios de futurologia, mas é completamente inútil. Alguém, fazendo tais projeções sobre as carruagens do século XIX poderia imaginar que elas seriam aprimoradíssimas ao logo das décadas, com cavalos e coches cada vez melhores, aos milhões e centenas de milhões rodando nas ruas, e algum comerciante mais afoito pensaria no feno necessário, nos estábulos, nos estacionamentos, e o resto da riqueza imaginária.

                        Vieram os automóveis e mudaram tudo.

                        Mesmo no Brasil, que é atrasado em relação a isso, já devem existir 25 a 30 milhões deles.

                        Para algo que promete ser tão importante, fundamental mesmo na vida das pessoas, o Brasil e o Espírito Santo fazem relativamente bem pouco. Há a Internet, a Internet 2 e a RNP (Rede Nacional de Pesquisas; mas não uma RCP, Rede Capixaba de Pesquisas, por exemplo).

                        Não há uma visualização direta e firme dos potenciais da Internet -- globais, brasileiros, estaduais e municipais/urbanos. Como sempre os governos são modernos, bons para os anos 1700, precisando ser contemporanizados, atualizados para o século XXI, com um salto sobre os 300 anos de atraso.

                        Eles não TOMAM A FRENTE, como diz o povo; estão sempre à retaguarda. É como se a locomotiva fosse puxada pelos vagões, e não o contrário, como deveria ser.

                        Em vez de termos tantas novelas, os governos bem que poderiam agendar com as emissoras um assim chamado HORÁRIO NOBRE DA INTERNET, para nobre missão, das 19 às 20 ou das 20 às 21 horas. Que fossem 30 minutos, de início, para ver a aceitação do público.

                        As matérias podem ser variadíssimas. Darei alguns títulos.

·         hardware/máquinas

·         software/programas

·         a situação presente do Brasil e do estado do ES

·         os centros mais avançados

·         imbricação da informática com a cibernética

·         bibliografia

·         excelência brasileira

·         locais públicos de acesso nas cidades, etc.

Podem ser milhares de abordagens.

E do mesmo modo no restante da mídia (rádios, revistas, jornais, livros e a própria Internet), no geral mais avançado que a TV.

A Internet não se parece, por suas características, com nada que tenhamos visto antes, exceto as rodas. Ela é, por assim dizer, a RODA DO PENSAMENTO, catapultando-o a alturas nunca sonhadas. E, é lógico, deve ter um tratamento à altura.

                        Vitória, sexta-feira, 03 de maio de 2002.

                  

Inteligência Muito Artificial (da série Expresso 222..., Livro 2)


Inteligência Muito Artificial

 

                        O autor americano Michio Kaku, em seu livro Visões do Futuro (como a ciência revolucionará o século XXI), Rio de Janeiro, Rocco, 2001 (é autor também de Hiperespaço, segundo a capa), diz na página 118: “Programar um robô para ter emoções é difícil, mas não impossível. Como isso pode ser feito? Cientistas podem atribuir ‘pesos’ ou números a certos comportamentos. Diante de um perigo, o robô poderia atribuir um número negativo à situação e, em conseqüência, evitá-la. Diante de uma alternativa agradável (por exemplo, amplas fontes de energia), o robô lhe atribuiria um número positivo e a buscaria. Assim, a resposta pode ser programada (como para seres humanos): músculos faciais se contraem para riso, pernas se movem para fuga, braços se flexionam para luta, sobrancelhas se erguem para surpresa ou baixam para raiva”, grifo, itálico e negrito meus.

                        Esses caras estão mais perdidos que cego em tiroteio, ou cachorro caído de mudança.

                        Porisso, no modelo, chamei o par polar de corpo/cérebro e mente/GAP (gerador-de-autoprogramas), ou seja, o corpomente humano é um programáquina. E é AUTOGERADOR de programas porque não depende de nada de fora. As crianças humanas, desde o útero, desde a mais tenra infância só são programadas de fora 50 %, PORQUE INTERESSA A ELAS. Elas se autoprogramam.

                        Se um ser humano fosse posto no vazio, num lugar totalmente sem informação e controle, sem conceitos e sem formas, ainda assim ele começaria a raciocinar NO VÁCUO.

                        Ora, a coisa não diz respeito à programação exógena, gerada fora, mas à programação endógena, gerada dentro – ISTO É QUE É, ESSENCIALMENTE, A VIDA. Prende-se a uma bifurcação, conseqüentemente a uma árvore de decisões binárias: sim ou não? Para a esquerda ou para a direita?

                        A vida toda espaçotemporal dos seres faz-se desse modo, em toda geo-história de toda psicologia, humana ou não. Devemos decidir. É essa decisão que não é programável de fora, pois depende da apresentação do inesperado, do diverso. E TODO INFINITÉSIMO INSTANTE A SEGUIR é inesperado, mesmo quando há repetição: neste caso teremos o segundo evento parecido com o primeiro, mas somado, e fazendo parte de um segundo instante de memória. É só quando se mostra igual que vemos que é igual (na verdade, semelhante), e não antes, pois antes por definição não existia. Se virmos o Sol surgir (numa idade como a minha umas 17,6 mil vezes – aí deveríamos descontar os sete anos de ausência relativa de memória externamente ligada) repetidamente e por indução supusermos que ele surgirá novamente, nem por isso a constatação de que efetivamente surgiu deixa de ser uma surpresa. A cada manhã devemos re-agir ao aparecimento novo do Sol.

                        Os autoprogramas devem decidir a cada infinitésimo instante.

                        Os programas não constituíram, não constituem, nem vão constituir nunca inteligência artificial.

                        São programas, ordens de funcionamento que saem de um GAP qualquer, um ser humano sempre, na Terra.

                        Para obtermos GAPA (GAP-artificial) devemos inventar ainda a computação paralela de que falei noutro texto. E aí não será mais programação, e sim autoprogramação artificial, verdadeira IA, inteligência artificial, como já temos MA, memória artificial, e da junção das duas teremos MICA, memória/inteligência/controle artificial.

                        As tais “expressões faciais” não são expressões faciais coisa alguma. São, no máximo, desenhos, animados por um GAP qualquer, no caso do cinema e suas máscaras agitadas de bichos apenas geometria variável, alteração de formas.

                        Só existirão expressões FACIAIS onde houver face ou rosto.

                        E rosto, humano, ou face, de animal, é sempre de um GAP, seja ele de qualquer reino (fungos, vegetal, animal ou humano – de reino um a quatro). Daí teríamos expressões faciais humanas e expressões faciais animais. Como fungos e plantas não têm faces não podem ter expressões faciais.

                        Segue-se que essas modificações de máscaras não passam de alterações de formas, porisso sendo programáveis verdadeiramente.

                        Mas um rosto humano ou face animal não são programáveis PORQUE as expressões faciais SÃO RE-AÇÕES, isto é, pertencem a uma árvore de decisões. Quando alterações de forma, digamos na máscara de gorila que ele cita, assustam as crianças, é porque elas e seu inconsciente coletivo autoprogramaram as formas como facilidade, como anúncio de perigo, tendo-as visto na parentela ou na vizinhança ou na TV ou nos colegas ou amigos, etc.

                        Como eu disse, eles estão perdidinhos da silva.

                        É espantoso, tão espertos e tão atrasados ao mesmo tempo.

                        Vitória, terça-feira, 14 de maio de 2002.

Inércia e Gravidade (da série Expresso 222..., Livro 2)


Inércia e Gravidade

 

                        Logo no início do modelo eu rejeitei a antigravidade da FC, porque sem explicação. Depois aceitei a antigravidade, pois o modelo diz que devem existir dois motores opostos/complementares, os pares polares. Era uma aceitação sem outro raciocínio de base, exceto que ela deveria existir, de qualquer modo.

                        O livro de R. Resnick e D. Halliday, Física 1, 4ª. Edição, Rio de Janeiro, LTC, 1983, diz na página 79: “O fato de os corpos permanecerem em repouso ou em movimento retilíneo uniforme, na ausência de forças aplicadas, é freqüentemente descrito atribuindo à matéria uma propriedade denominada inércia”, grifo e negrito meus.

                        Observe que é descrito, não explicado.

                        No modelo devemos ter dois movimentos que se anulam em SOMA ZERO. O movimento retilíneo dever ser anulado pelo movimento curvilíneo, de modo que realmente a soma deles dê, na origem, zero, ou seja, eles estão E NÃO ESTÂO em movimento. Estão, porque os vemos em movimento, e não estão porque, reconduzidos ao princípio, se reduzem na singularidade a zero, ao nada.

                        Por exemplo, o Sol puxa a Terra através do campo gravitacional, e a empurra através do campo inercial, de modo que a Terra está e não está em queda permanente. Pela gravidade a Terra está sempre caindo no Sol e pela inércia ela nunca está caindo, de modo que na prática ela faz uma cirlulinha (círculo-linha, uma reta-curva) ou retacurva ou campartícula ou onda. E assim é para todos os corpos. Conseqüentemente, diz o modelo, se um meteorito cai no Sol, na Terra, em Júpiter ou em qualquer lugar, sua gravidade é transferida ao corpo sobre o qual caiu, bem como sua inércia. Elas são somadas, pois G = I, ∑ = G – I = 0.

                        A gravidade e a inércia são números conservados, tais como os demais números. Tal como a lei da conservação da energia devem existir leis de conservação da gravidade e da inércia, cuja soma inicial era zero.

                        Quer dizer, a gravidade e a inércia não são criadas nem destruídas, elas são transferidas. Parodiando Lavoisier, a gravidade e a inércia não são criadas, elas são transformadas.

                        Os livros de Física dizem que não há como distinguir gravidade e inércia. Por um motivo só, elas são uma e a mesma coisa.

                        Se a gravidade fosse subitamente anulada, a inércia (que é um motor independente) continuaria presente na Terra em órbita, e esta sairia disparada em linha reta pelo espaço, afastando-se para sempre do Sol e do sistema solar. Aonde iria a gravidade anulada? Ela se transferiria a outro corpo das imediações.

                        Daí que, para fazer subir uma nave subir antigravitacionalmente desde o solo, é preciso transferir sua gravidade para o ambiente, ou seja, tirá-la da partícula, da parte, e reposicioná-la no campo, no todo. Como que EXTRAIR gravidade do objeto. Porisso, para gerar “gravidade artificial” nas tempespaçonaves da FC, seria necessário extrair inércia de algum lugar, como a carga renovada da bateria do carro é retirada da energia do combustível. Com isso a nave ET (espaçotemporal, e não apenas espacial) reduziria sua marcha, desaceleraria, e alguma energia extra deveria ser gasta para re-acelerá-la.

                        Note que, de fato, só podem existir duas energias verdadeiras. No texto de 29 de abril, O Que Einstein Buscou e o Que Ele Achou, eu recoloquei as quatro forças, magnética, elétrica, fraca e forte, com a gravidade no centro, vá ler. É como uma pirâmide de base quadrada, com a gravidade no topo ou na base, bem para dentro.

                        Então, tal como eu havia raciocinado sem ter chegado às conclusões de agoraqui, só existem mesmo duas energias, que no final são uma e a mesma, a gravinercial, com campartículas ortogonais, como a eletromagnética, em que Maxwell reuniu a materenergia magnética com a materenergia elétrica, numa só materenergia eletromagnética.

                        Ou seja, a materenergia gravinercial da singularidade abriu-se nas origens no par gravitacional-inercial, e este na quádrupla dos campartículas/ondas: 1) campartícula/onda magnética, 2) campartícula/onda elétrica, 3) campartícula/onda fraca e 4) campartícula/onda forte.

                        Não existem outras energias.

                        Sendo assim, as energias que existem são a cinética ou inercial ou reta ou retilínea, e a potencial ou gravitacional ou curva ou circular. Nenhumas outras. Não há energia termelétrica, e sim potencial. Não há energia vital, nem quaisquer umas que não as duas, que eram uma só no princípio.

                        Por via de conseqüência, quando o livro citado diz: “Em termos do momento de inércia, pode-se expressar a energia cinética do corpo rígido em rotação como K = ½ I.w2. Este resultado é análogo à expressão para a energia cinética de translação de um corpo, K = ½ M.v2”, grifo, negrito e letras distintas minhas.

                        Na verdade a “energia cinética de translação” é, mais economicamente, apenas energia linear ou inercial, e a energia cinética de rotação é somente a energia não-linear, ou gravitacional ou de queda ou potencial.

                        Como vimos, não é análogo, é igual. São uma e a mesma coisa.

                        O momento (movimento) inercial é o mesmo momento (movimento) gravitacional.

                        Como resultado, podemos falar em dissociação ou rompimento ou quebra ou anulação magnética, elétrica, fraca, forte e gravinercial pelo centro. Haveria então uma fórmula equivalente a E = m.c2 mais para baixo, no reino gravinercial, próximo ou coincidente com as dimensões de Planck, aquilo que Stephen “Rei das Águias” Hawking chamou de “propriedade espacial” (espaçotemporal). E a fórmula vale para qualquer uma das quatro materenergias ou campartículas, com as devidas modificações. Segue-se que é a materenergia gravinercial que modela ou define o espaçotempo e as dimensões todas deste universo Uo.

                        Vitória, terça-feira, 21 de maio de 2002.

Há Perigo de Argentinização do Brasil? (da série Expresso 222..., Livro 2)


Há Perigo de Argentinização do Brasil?

 

                        Quando eu estava trabalhando em Pequiá, divisa com Minas Gerais, surgiu o papo da Argentina. Tenho falado do modelo para alguns colegas, e dos ciclos, da sua presumida capacidade de previsão. Falei de quando, em 1994, escrevi um artigo para o jornal circular da SEFA dizendo que o Brasil, lançada a URV (unidade Real de Valor) que conduzia ao Real, passaria pelos mesmos problemas que a Argentina, que tinha embarcado antes. Descrevi alhures que quando a Argentina afundasse, ela se escoraria no Brasil, e perguntei em quem nosso país se ampararia.

                        Disse ainda, naquele ano, logo em abril, que a inflação tinha acabado nos próximos 60 anos, o que espantou muito as pessoas.

                        Então, se agora a Argentina está afundando, o Brasil seguirá seus passos? Creio que não. Naquela ocasião afirmei que FHC teria sete anos para evitar o desastre que o governo mesmo havia plantado. Não porque havia dado fim à inflação e aos juros tremendos da época, pelo contrário, porque não o havia feito antes. Mesmo assim os juros reais brasileiros são um dos maiores do mundo, tolerados pelo governo como forma de superacumulação das elites não-produtivas de fundo cultural português.

                        No papo de agosto ou setembro/2001 em Pequiá afirmei que a Argentina caminharia para a guerra civil. Logo em seguida estimei que a relação peso/dólar iria a 4/1 (chegou até agora a 3,2/1), porque o desestancamento levaria a isso. De fato, no Brasil a relação real/dólar chegou a 2,8/1, baixando agora a 2,3/1, inflação de 130 %. Lembre-se que a Argentina começou uns três ou mais anos antes, o que levaria a uma inflação maior no período de 10 ou 12 anos, decorridos desde o início do plano deles. Em vista disso, grosso modo, poderíamos pensar em 4/1.

                        Como quando houve a súbita desvalorização do real, de 30 % ou mais. Era fácil prever que ele iria a 1,7/1, pois o preço dos produtos e serviços todos apontavam isso. E, depois, para mais que dois por um. O preço das passagens dos ônibus municipais em Vitória passou de 0,30 em 1994 para 0,45 (50 % de reajuste no ano seguinte), depois 0,50, a seguir 0,75 e é agora de 1,00, devendo haver outra greve forjada dos “trabalhadores” (motoristas e trocadores induzidos pelos donos das empresas) em junho/2002, como sempre aconteceu, nestes oito anos. Segue-se que a inflação das passagens foi de 1,00/0,30 = 233 % (o dólar deveria estar a 3,33 reais. Estando a 2,30 reais, isso mostra a força do Real como moeda e produçãorganização).

                        Se tudo isso pode ser pensado, o Brasil seguirá os passos da Argentina, como eu havia previsto?

                        A resposta é que NÃO.

                        Porque a turma de FHC fez direitinho o dever de casa.

                        Não deu independência ao Banco Central, como não tinha mesmo que fazer; não estancou a relação das moedas, o que seria um absurdo; liberou os preços; fez obras “enterradas” fundamentais, para o futuro, e outras evidentes no Brasil em Ação. Ademais o Brasil é muito maior que a Argentina e, PRINCIPALMENTE, não é homogêneo em palavras e ações. Há enormes cidades aqui em 26 estados e o DF, num número incomparavelmente maior que por lá.

                        Há independência de procedimentos, de invenção, de renovação. Há uma liberdade de cruzamentos em todos os sentidos com a qual os argentinos nem sonham.

                        Por via de conseqüência o Brasil está a salvo. Não haverá aqui argentinização, e o país passará ao largo não só desta mas de muitas crises mais, como passou com a do México em 1987, a do Oriente em 1997, a da Rússia em 1998, e assim por diante. Só um colapso total do mundo ameaçaria verdadeiramente o Brasil, e assim mesmo por curtíssimo prazo, dependendo somente da ligeireza da abertura interna. Não é mais como em 1929, quando a nação foi pega de surpresa numa monocultura subserviente do café.

                        Vitória, domingo, 12 de maio de 2002.

Gêmeos Idênticos (da série Expresso 222..., Livro 2)


Gêmeos Idênticos

 

                        O modelo diz que cada afirmação é e não é verdadeira, ao mesmo tempo. Existem gêmeos idênticos? Sim, e não. A questão é: onde?.

                        Por exemplo, são idênticos na medida em que ambos foram construídos com a mesma carga genética, que é biológica, relativa à Vida geral e à vida humana, em especial. Não são pelo fato de no plano psicológico não poderem ser.

                        Então, vamos investigar mais a fundo a questão.

                        Coloquei as naturezas como sendo seis, de N.0 a N.5, representando os planos Físico/Químico, Biológico/p.2, Psicológico/p.3, Informacional/p.4, Cosmológico/p.5 e Dialógico/p.6.

                        No plano Físico/Químico, para serem idênticos, deveriam sê-lo para todos os campartículas fundamentais e as subpartículas da Física, bem como os átomos e moléculas da Química.

                        No plano Biológico/p.2, para todos os replicadores (são vários, e não apenas o ADRN), as células, os órgãos e corpomente.

                        No plano Psicológico/p.2, para todas as pessoas (indivíduos, famílias, grupos, empresas) e ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundo). É evidente que dois gêmeos vivem no mesmo mundo, não há outro, mas podem estar em nações diferentes, sem falar em estados e municípios/cidades – os ambientes diferem. Embora geralmente fiquem na mesma família, um pode ser adotado, ou ambos, por famílias diversas. E durante a vida podem pertencer a grupos e empresas várias.

                        Então, definitivamente não pode haver identidade absoluta, ponto a ponto, em nenhum dos planos.

                        De que identidade estão as pessoas falando?

                        De uma identidade relativa, conceitual, que não leva em conta precisamente as formas, só as estruturas de pensamento.

                        Relativa à semelhança biológica.

                        Os gêmeos biológicos podem ser uniovulados, de um óvulo, ou univitelinos, de um saco vitelino apenas, ditos “gêmeos idênticos”; ou biovulados, de dois óvulos, ou bivitelinos, ou “gêmeos germanos”, ou apenas gêmeos.

                        É uma identidade frouxa, esta. SE nós dizemos que a letra está contida no alfabeto, excetuadas as de A a Z, criamos uma contradição. É como perguntar se Deus pode fazer algo que Ele não pode desfazer.

Creio que foi a Santo Agostinho que perguntaram o que Deus estava fazendo antes de criar o mundo, e ele teria respondido que criando o inferno para pessoas que fazem perguntas como essa. Na realidade ele procurou escapulir (o que não é muito elegante, nem favorece o desenvolvimento racional humano, ao passo que enclausura o sentimento da humanidade), enquanto nós devemos enfrentar as dificuldades.

                        Uma definição ruim gera para/doxos (do grego, para, oposição, e doxa, razão – que se opõe à razão). Se isto é péssimo, de um lado, do outro é ótimo, caso as pessoas tenham cuidado de prosseguir a busca da solução, pois a soma é zero. Zenon colocou paradoxos que seu tempo não pôde resolver, o que acabou matando a pesquisa & desenvolvimento gregos – mas poderia perfeitamente tê-las disparado.

                        Se colocamos que é IDÊNTICO, total ou perfeitamente igual, e não semelhante, fica consignado que há um paralelismo integral, que, como vimos, não pode existir.

                        Eles são superficialmente iguais.

                        Se insistimos que são idênticos, descuidamos de olhar o ambiente, de que a pessoa é o outro lado, na soma zero 50/50. O papel do ambiente desaparece de cena. Ninguém atenta para o fato de que os ambientes físicos/químicos, biológicos/p.2 e psicológicos/p.3 acabam por promover diferenciação a partir do primeiro segundo de nascimento, ou mesmo antes.

                        Deixaremos de pensar.

                        É isso que uma definição ruim traz de comprometedor à razão.

                        Ela a obstrui, entrava, atravanca, oblitera, fecha, extingue.

                        O resultado pode ser extremamente daninho para a coletividade, a sociedade/civilização/cultura, todo o povelite/nação.

                        É PORISSO que as definições devem ser vigiadas.

                        Vitória, quinta-feira, 23 de maio de 2002.

Fazenda ES (da série Expresso 222..., Livro 2)


Fazenda ES

 

                        No modelo falei das “terras preciosas”.

                        As pessoas (indivíduos, famílias, grupos, empresas) e ambientes (municípios/cidades, estados, nações e mundo) não estão avaliando com bastante profundidade a questão da terra/solo.

                        Primeiro índice: a população vai passar dos atuais seis para 12 bilhões em 2050, daí um fator de dois.

                        Segundo índice: a desertificação está aumentando – significando menos terras úteis para qualquer coisa, inclusive moradia e visitação. Aqui devem ser incluídas também a salinização dos solos, a tomada de terra pelas hidrelétricas, e o que mais houver.

                        Terceiro índice: a população rural passou no Brasil, em 40 anos, de 70 a 30 % no campo, e está sendo reduzida drasticamente. 70/30 = 2,33. Quando chegarmos a 4 %, como nos EUA e outros lugares, teremos 100/4 = 25. Só um em cada VINTE E CINCO indivíduos terá acesso direto ao campo. Esse esvaziamento do campo, ou êxodo rural, julgado positivo em algum instante, gerará uma tremenda nostalgia, uma saudade formidável, uma dor intensa, uma melancolia incontrolável nas criaturas, o que valorizará as terras do interior de uma forma que sequer podemos sonhar.

                        Quarto índice: os oceanos ocupam 70 % da superfície da Terra (total de 510 milhões de km2). Do 1/3 restante (160 milhões de km2 de terras emersas) sobram menos de 90 milhões de km2 (fiz as contas, retirando desertos, gelos, águas internas, etc.), devendo pelo menos 1/3 ou 30 milhões de km2 serem mantidos como reservas naturais. Restam 60 milhões de km2 para efetiva ocupação humana. Daí, 160/60 = 2,7.

                        Colocando esses índices em seqüência, teremos: 2 (duplicação da população) x desertificação (não avaliável – avança dois mil km2 POR ANO) x 12,5 (imaginando que metade das nações perseguirá o modelo americano) x 2,7 = 68 (sem contar a desertificação).

                        Veja, tudo isso é exponencial.       

                        Porque no primeiro índice as moradias humanas devem incluir as fábricas, a agropecuária/extrativismo, o comércio, os serviços, os bancos e a presença governamental, todos ávidos de construírem prédios e edifícios variados.

                        Qual o índice de EXPONENCIALIZAÇÃO?  

                        Não sei, mas se imaginarmos que é o menor deles, dois, teríamos 4,6 mil para um. As terras vão valorizar tremendamente. É muita coisa, mesmo. É algo até de apavorante o que as pessoas darão para ter um pedacinho insignificante de terra. Sem dúvida os elementos da Bandeira Elementar (ar, água, terra/solo e fogo/energia, mais a vida no centro e no centro do centro a vida-racional) constituem os melhores investimentos do século XXI, sem falar em lixo e transportes, que estão um pouco abaixo.

                        Neste sentido, como já disse a meus filhos (Clara e Gabriel), o que haveria de melhor seria comprar QUALQUER TERRA disponível ou ofertada no mercado capixaba, ou em qualquer lugar, por exemplo, os estados pequenos, muito populosos e ricos, como o Rio de Janeiro ou São Paulo. Comprar sítios, fazendas, roças, propriedades – seja que nomes recebam. QUALQUER PEDACINHO JÁ FAZ SENTIDO.

                        A terra/solo se tornará um objeto de desejo intenso, neste e nos futuros séculos, à medida do crescimento populacional.

                        Mas, em vista da própria pressão e demanda por terras, concentrá-las em megapropriedades, em latifúndios, seria besteira, por conta da justíssima reinvindicação do MST, Movimento dos Sem-Terra. É preferível comprar pedaços separados e NÃO JUNTÁ-LOS, de modo algum. É fundamental deixá-los separados, mesmo se contíguos, se colados uns aos outros, com as diferentes denominações originais. Frações de solo se tornarão TÃO CARAS que serão disputadas, mormente se tiverem rios, montanhas, restos de florestas, o que for de diferente e notável.

                        Vitória, sexta-feira, 03 de maio de 2002.

Espelho Mágico (da série Expresso 222..., Livro 2)


Espelho Mágico

 

                        Michio Kaku, no seu livro Visões do Futuro (como a ciência revolucionará o século XXI), Rio de Janeiro, Rocco, 2001, página 119, diz: “Até 2050, esperamos que os sistemas de IA tenham uma modesta amplitude de emoções. Sistemas inteligentes serão então de fato onipresentes, animando muitos dos objetos à nossa volta e até partilhando alguns de nossos sentimentos. A Internet, então, terá se transformado num Espelho Mágico, capaz não só de ter acesso a toda a base de dados do conhecimento, como também de conversar e brincar conosco”, colorido meu.

                        IA é inteligência artificial que, dependendo só das atuais linhas de pesquisa, jamais iria existir, porque é preciso antes desenvolver a computação paralela, como escrevi. Ela só será onipresente se primeiro e existir, e puder prosperar. E se existir e começar a evoluir/revoluir/re-evoluir, se tornará vida autônoma, independente de nós, a primeira que criaremos, a par de outras. SE existir, deve ser multiplicada; se for multiplicada, cabe perguntar qual o sentido da onipresença. Só ELI, Natureza/Deus, Ela/Ele é onipresente, e assim mesmo na sua porção Natureza.

                        Bom, aí vem a pergunta de porquê as pessoas veriam a MICA (memória/inteligência/controle artificial) como Espelho Mágico.

                        Mágico é aquilo que tem causa desconhecida.

                        Há uma quantidade inumerável de coisas fantásticas em nosso mundo, da escrita à roda, em milhões de itens totalmente surpreendentes e que não julgamos, de modo algum, mágicos. São triviais para nós, embora não os entendamos. Quantos entendem o funcionamento de um elevador? Sob a ótica de um primitivo ele entraria num cubículo, diante do qual estão certas formas da sala anexa, ficaria alguns instantes e sairia diante de outra sala e corredor, que dariam para vários apartamentos ou escritórios cheios de coisas diferentes das quais havia visto momentos antes. PARA UM PRIMITIVO, SIM, seria mágico, porque ele não tem entendimento algum. Apesar de não saberem profundamente, até os detalhes, como os elevadores funcionam, as pessoas leigas entendem que é uma caixa que sobe e desce por um poço, denominado “poço do elevador” (e elevador/baixador é a máquina que faz a operação. Só não é usado o termo “baixador” porque ele primeiro deve elevar para em seguida baixar).

                        De todas as coisas já produzidas pela humanidade nós não sabemos senão resíduos, mesmo os tecnocientistas que as fizeram, ou quaisquer pesquisadores, pois constituem um número muito grande. Ainda assim, é certo que, mesmo tendo apenas vaga idéia de seu funcionamento, isso nos tranqüiliza, e nega o aspecto mágico.

                        Para ser mágico tem de ser totalmente desconhecido, deve ser operado fora da realidade imediata do observador.

                        É porisso mesmo que, depois de iniciada a revolução tecnocientífica, ou mesmo filosófica/ideológica, desde que alguém começou a duvidar (não foi Descartes, isso vem desde os primórdios) a Magia vem perdendo campo e adeptos. Mais definidamente desde a dúvida sistemática cartesiana, nenhuma pessoa que a pratique se deixaria enganar.

                        Se um grego antigo, das elites pensantes, fosse posto na realidade atual, mesmo achando tudo admirável e espantoso, não acreditaria em nenhuma magia.

                        Na realidade, essa Internet “onipresente” seria tratada com tanta desconsideração quanto um liquidificador, que pode ser visto como um copo grande dentro do qual colocamos pedaços de alimentos sólidos e obtemos pastas de variadas densidades. Apertamos um botão e pimba!, faz um barulhinho e dentro de minutos temos uma vitamina.

                        A dialética diz que quanto mais se apresenta uma coisa menos ela é notada; quanto mais “onipresente” se fizer a Internet menos valor daremos a esse portento. Deus só é supervalorizado porque ninguém o vê, está completamente ausente. Se batesse todo dia à nossa porta acabaríamos por ficar irritados, mesmo em se tratando do CRIADOR DO UNIVERSO, com tudo que isso significa.

                        Como diz o povo, quem não sabe rezar xinga a Deus.

                        Quem não sabe pensar, quem não se dedica a aprofundar suas afirmações, acaba por ficar na superfície de tudo, apenas induzindo os outros a erros.

                        Vitória, terça-feira, 14 de maio de 2002.