Saturday, November 02, 2013

A Década Perdida (da série Expresso 222..., Livro 3)


A Década Perdida

 

                        Durante anos os economistas, os governantes, os políticos e as empresas falaram da tal “década perdida” no Brasil, de 1980 a 1990, o que é tudo mentira. Por exemplo, o Callegari pediu que eu comentasse o texto Política de Comércio Exterior e Crescimento Industrial no Brasil, de Arthur Barrionuevo Filho, professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica da EAESP/FGV, publicado na ERA – Revista de Administração de Empresas.

                        Como as estatísticas estão todas distorcidas, só através do raciocínio poderemos realmente saber a verdade.

                        A ditadura durou, no Brasil, de 1º de abril (dizem 31 de março, por conta do “dia da mentira”) de 1964 a 15de março de 1985 nada menos que 7653 dias, ou 20 anos, onze meses e treze dias, faltando 17 dias para completar 21 anos, morrendo antes de atingir a maioridade. Ninguém ficou sentido por isso, não.

                        Entrementes, é certo que a ditadura, precisando justificar a sua presença com obras, tratou externamente de conseguir muitos empréstimos para coisas úteis e inúteis, mais de 100 bilhões de dólares, e internamente apertou o cerco aos sonegadores, que viveram períodos difíceis.

                        Passando pelas crises do petróleo de 1973 e 1980, e vendo a retração dos investimentos e empréstimos de fora (para além do gasto incrível e desnecessário de Ernesto Geisel, financiando a falida indústria termonuclear alemã, sendo ele mesmo descendente), os milicos acreditaram esgotado seu modelo de desenvolvimento de poucos, e passaram a peteca a outros, para que eles continuassem o processo democraticamente. Como li num muro de Linhares em 1984: “estamos trocando 20 anos de ditadura por 10 anos de merda pura”. A pura verdade.

                        Em 1985, ao pegar o poder com a morte muito estranha de Tancredo Neves, José Sarney certamente afrouxou o controle, caindo tanto a receita que os governos seguintes tiveram extrema dificuldade em pagar as contas internas e externas, até a retomada do serviço pela Receita Federal.

                        Evidente que desde João Batista Figueiredo tudo estava correndo pelo Abreu: se ele não pagar, nem eu.

                        O resultado foi que grande parte da economia migrou para o invisível. Tendo entrado em 1984 no Fisco estadual do ES, em 1988, estando no atual Sindifiscal, então AFES, eu disse ao ex-secretário de estado da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, que a sonegação passava dos 60 %, do que ele zombou, mesmo sabendo perfeitamente ser verdade, pois era um dos Delfin-boys do regime militar.

                        Não sei quanto era, mas se em 1980 a sonegação estava contida em digamos 10 % e alcançou 60 % em 1988, tendo multiplicado por 5 em 8 anos, aumentou no todo 50 %, num ritmo alucinante de crescimento da demência consentida de mais de 20 % AO ANO, verdadeiro festim de incúria ou desmazelo de um lado e podridão ou devassidão do outro.

                        Claro, ao final da década todos estavam felizes, menos os que sofreram com isso. Os governos desculparam-se inventando a pérfida e totalmente falsa “década perdida”, que é um desses mitos oficiais.

                        Mas de onde vieram todos os televisores, todas as geladeiras, todas as viagens, todas as coisas que os brasileiros estiveram comprando nessa década? Milhares, centenas de milhares de microempresas nasceram na ou foram para a clandestinidade, a ponto de um candidato a presidente, Antônio Ermírio de Moraes, um dos donos da Votorantin, dizer que 33 % da produção das (grandes, veja só) empresas saíam sem notas fiscais. Veja que eram as empresas oficialmente aceitas pelos governos, e era um dos poderosos deste país!

                        Se segue que é tudo mentira, é invenção torpe, depravada pervertida, é maracutaia, fraude, falcatrua mesmo. Que continua a ser propagada pelos que não investigam ou têm interesse na continuidade da farsa. E assim vão os economistas mentindo a rodo. SE colar, colou.

                        Não cola para quem investiga, indaga, pesquisa, quem não aceita de pronto a propagação do erro.

                        Vitória, sábado, 15 de junho de 2002.

                  

A Conveniência dos Paradigmas (da série Expresso 222..., Livro 3)


A Conveniência dos Paradigmas

 

                        Embora muitos falem contra os paradigmas, tal como os descreveu Kuhn, eles estão longe de ser tão ruins como se diz. Pelo contrário. Afora durante as revoluções, é excelente que existam mesmo. São a base da evolução, enquanto sua destruição é condição das revoluções. Porém, o mundo não pode ficar em revolução mais que 2,5 % ou 1/40 do tempo, creio eu, ou de outras forma ninguém produziria.

                        Assim sendo, os paradigmas são convenientes, até muito convenientes. Quem pode trabalhar se há permanentemente baderna em toda parte e tiroteio nas ruas? A Ciência e o restante do Conhecimento dificilmente prosperará em tais condições, exceto quando esteja operando o modo revolucionário, ou seja, quando tem significado desobstruir o caminho das teias ou cristalizações, com a proposta de modificações profundas e terminais.

                        Os paradigmas são programas a serem seguidos pela grande maioria. A “pequena maioria” (isso faz sentido, creia, porque a pequena maioria, em geral sufocada, se manifesta nas revoluções, enquanto a grande maioria o faz durante os períodos evolucionários) fica o tempo quase todo abafada, vindo à tona quando o mundo está indo para o buraco, justamente recebendo a missão espinhosa de salvá-lo.

                        A grande maioria não é estúpida, só não sabe tudo. Sabe o lado menor da realidade, porque não pesquisa tão a fundo quanto a pequena maioria, os inconformados. Estando conformada, necessariamente ela está contida na mediocridade, a qual também deve subsistir enquanto não for substituída. Enquanto for útil a mediocridade é que conduz o mundo.

                        A mediocridade paradigmática foi a sabedoria revolucionária de antes; a ortodoxia foi a mais pura heterodoxia antes. Tudo que é comum hoje foi um dia profunda verdade oculta, que lutou tremendamente para vez a luz do Sol, contra as opiniões de quase todos, menos dos revolucionários que as conduziam.

                        E é bom que as posições revolucionárias, antidogmáticas, sejam obstruídas, pois elas devem provar seu valor e utilidade, ou de outro modo a todo instante deveríamos alterar o curso das coisas. Imagine o que seria a todo momento mudar a direção de seis bilhões de pessoas.

                        Não há como, certo?

                        Então, os dogmas ou paradigmas devem existir e até prosperar enquanto não forem fortemente contestados por formas mais avançadas ainda de ver e de proceder.

                        Estão errados os que atacam irrefletidamente os paradigmas. Os modelos ou padrões ou protótipos, os congelamentos são também utilíssimos porque afastam os medíocres da fronteira das discussões. Quão desagradável seria se todos se pusessem a discutir sobre tudo, causando tremenda balbúrdia na linha de frente do trem de ondas das mudanças!

                        É claro que quando a gente fica aborrecida com os paradigmas, já está sendo considerado tudo isso. A reprovação vai para aqueles que podendo estar mais adiante recusam-se a pensar e a avançar, mantendo-se fiéis e superfiéis ao atraso, quando nitidamente está sendo oferecida uma solução melhor, a qual não é vista por falta de um mínimo de audácia.

                        Só estes nos aborrecem.

                        Quanto aos demais, os paradigmas são utilíssimos.

                        Ninguém diria que os brinquedos de crianças não servem só porque já passamos dessa fase.

                        Vitória, quinta-feira, 20 de junho de 2002.

                  

A Caixa de AM-W (da série Expresso 222..., Livro 3)


A Caixa de AM-W

 

                        No livro de Annete Moser-Wellman, Cinco Faces de um Gênio (como descobrir e desenvolver a genialidade e a criatividade humana), São Paulo, Alegro, 2001, página 173/4, ela fala da “caixa”.

                        Ela estava conversando com uma antiga chefe e reclamou não poder resolver os problemas, a chefe respondendo que ela não estava vendo os “lados da caixa”. “Que caixa”, perguntou. Ao que a chefe respondeu que a tarefa dela (e de todos, digo eu) era ficar sobre uma caixa, aprendendo a ver todos os lados para ver qual é possível vergar, ou seja, forçar como solução e saída, a criatividade começando quando a pessoa se recusa a ver os lados da caixa como limitações e passa a vê-los como auxílios ou potenciais.

                        Bem, deveríamos VER DE DENTRO, em primeiro lugar.

                        A parte de baixo é a realidade, à frente está o futuro ortodoxo, atrás o passado ortodoxo, dos lados as escapadas à esquerda ou à direita, acima a grande idéia.

                        Ou podemos VER DE FORA.

                        Aí teríamos seis soluções para os problemas, cinco correspondendo às faces de que AM-W fala e a sexta sendo a permanência na ortodoxia, ou quatro sendo as quatro faces do diagrama lógico de Aristóteles, a quinta sendo a solução central de onde derivam todas as demais, esta abrindo-se em duas, história, conservação, e geografia, expansão.

                        Ou, em vez de um hexaedro, um cubo, vermos qualquer outra figura geométrica espacial regular (ou não).

                        É uma metáfora muito boa e pode ser um poderoso auxílio nas reuniões de negócios ou seções de criatividade, os tanques de pensamento, obrigando as pessoas a buscar seis (ou “n”) soluções, coordenadas ou não, neste caso depois coordenando-as (o que pode ensinar tecnartes de chefia ou de obediência transitória para propósitos de crescimento) ou não.

                        Pode causar claustrofobia em alguns e isso também é útil para sabermos os que se recusarão a pensar, e, portanto, devem ir a outras tarefas.

                        Em cada lado da caixa pode haver uma tela, numa sala mesmo, onde se iriam acumulando os apontamentos de soluções e suas críticas, com os autores (para os créditos). Se houvesse efetivamente uma IA (Inteligência Artificial) verdadeiramente autônoma para organizar a produção, tanto melhor. Ou alguém pode se incumbir desse mecanismo de classificação nas reuniões, alinhando os grupos de saídas.

                        Saída do futuro, saída do passado, saída da esquerda (popular) saída da direita (elitista), saída de cima (virtual), saída de baixo (real), os vários níveis de compromisso - depois rotulando as classes, em termos de produtividade, a produção da produção, a metaproduçãorganização, de onde se olha a produçãorganização. Pode-se mesmo, posteriormente, definir o rendimento real (em termos de lucros) e potencial (em termos de desdobramento interno e externo), para categorização dos produtores.

                        Enfim, pode se tornar de fato uma tecnociência de valor, se a Academia ou os grupos isolados de pesquisa & desenvolvimento a elevarem a um estatuto maior de busca.

                        Vitória, sexta-feira, 31 de maio de 2002.

A Ajuda de Terceiros nos Trabalhos Escolares (da série Expresso 222..., Livro 3)


A Ajuda de Terceiros nos Trabalhos Escolares

 

                        O Callegari é técnico do IDAF, Instituto de Desenvolvimento Florestal, ligado do Ministério da Agricultura e realiza vigilância de divisa verificando os documentos fitossanitários. Tem 24 anos e mora em Nova Venécia, ES, e é tudo que sei dele. Pediu-me que comentasse um texto, do qual falei em A Década Perdida, Livro 3.

                        Quando eu estava no segundo grau em Linhares, meu irmão José Anísio e outros, estando freqüentando a faculdade de direito em Colatina, encomendaram-me uma colagem, um falso estudo, que fiz na Biblioteca Municipal de Linhares, onde tive oportunidade de, pela primeira vez, tomar contato com várias obras de maior vulto, inclusive Shakespeare.

                        Da mesma época foi um trabalho que fiz e coloquei o nome de Joelson Fregona, então colega de estudos, depois formado em odontologia, atualmente trabalhando lá mesmo.

                        E assim por diante, na faculdade coloquei o nome de muita gente, o que me faz pensar sobre o título deste artigo.

                        As pessoas que pedem isso estão realmente “se formando” nos estudos, na faculdade? Estão, claro, se iludindo, porque não testam sua inteligência e memória diante do mundo; não competem pela sobrevivência do mais apto. Não fortalecem os músculos mentais (quem faz isso é quem prepara o trabalho), caem na prostração ou abatimento de encomendarem aos outros a dureza da vida. Evidentemente aquelas pessoas fizeram muitos outros trabalhos, então detém competência própria significativa. Não é uma só tarefa que as qualifica.

                        E a coletividade perde porque atribuiu à pessoa o que ela não é. Num momento de extrema necessidade solicitará e não terá resposta conveniente, adequada, às vezes com grande perda.

                        Evidentemente essa gente não é má, pelo contrário, são todos, até onde posso ver, excelentes indivíduos. Não se trata de julgamento moral ou de valor e sim de compreensão de como o mundo caminha. Ora, eu penso que a própria escola deveria raciocinar, na pedagogia mais alta, que é a filosofia ou a ciência da transferência do conhecimento, e na prática de sala de aula, sobre todo esse processo de encomenda, de escamoteamento. Não se trata de forçar nada e sim de fazer compreender à pessoa de que tanto ela quanto a coletividade, o ambiente, precisam de conhecimento verdadeiro, de respaldo de todo o Conhecimento. Precisamos de pessoas que realmente detenham o conhecimento que a graduação atribui.

                        Quem quer pontes caindo, empresas mal administradas, estremecimento bancário?

                        Pela via da força não vai.

                        É fundamental desde cedo passar carinhosamente a certeza de que ninguém tem nada a ganhar com essa invericidade, inautenticidade, inexatidão, com essa distância entre a afirmação e o fato.

                        Vitória, sábado, 15 de junho de 2002.

Unigênito (da série Expresso 222..., Livro 2)


Unigênito!

 

                        Há uma passagem esplendida na vida de Jesus, que não vi ninguém analisar. Diz-se que Ele é filho unigênito de Deus. O Michaelis da máquina diz que é o cognome de Jesus, e traz unigênito como sendo “único gerado por seus pais” (pai e mãe), filho único.

                        Mas pode ter o sentido de uni(único)/gênito(gerado), como o gerado de um só, como um clone, uma réplica. Evidente que os clones só foram pensados pela Ciência enquanto realidade no final século XX, embora a FC viesse falando deles há mais tempo como possíveis, tendo propagado as primeiras discussões científicas e técnicas de algum tempo antes.

                        Já se tinham passado quase dois mil anos antes que alguém levantasse a possibilidade.

                        Uni-gerado, veja só.

                        Filho unigênito de Deus.

                        Compreensão humana da Terra não poderia ser, a menos que haja mais do que dizem. Ou isso vinha de conhecimento de civilização avançada do passado, ou de gente de fora, ou de Deus mesmo.

                        E Jesus dizia: “quem me vê, vê Meu Pai”. O que seria bem lógico, dado que um seria a réplica do outro. E dizia também que estava em Deus desde o princípio, o que também é lógico.

                        Não é espantoso?

                        As pessoas ficam pedindo provas, mas não analisam as palavras a fundo, nem na Bíblia nem em outros lugares, principalmente não o fazem com isenção, sem paixões contras ou a favor.

                        Imagine que tivemos de evoluir sócio-economicamente dois milênios para chegarmos a ponto de pensar em gerar um clone, uma repetição exata de um ser, e mesmo assim animais. Embora se diga que há condições, e que já estão em gestação seres humanos, meditemos que dos clones animais obtidos vários foram teratogênicos não mostrados. Dizem que 300 mulheres estão na fila, mas é esperar para ver. Isso que é incipiente e mal-posto pela humanidade de dois mil anos depois, aparentemente era cursivo, comum, trivial para quem gerou Jesus há dois mil anos.

                        E, se Jesus era filho unigênito de Deus, quer dizer que: 1) Deus é só humano, e Jesus também, ou 2) ambos são só divinos, ou 3) ambos são parcialmente divinos e parcialmente humanos. Só existem estas possibilidades.

                        As implicações são sérias, pois se Deus é humano, é mortal, e Jesus também. Se é exclusivamente divino, e Jesus também, deve ser imortal, razão pela qual Jesus não queria ser tocado, nem teria se misturado a gente humana. E se Jesus era mortal, morreu, e não houve ressurreição, furando o dogma na base de todo o cristianismo.

                        Os cristãos vão se apegar à hipótese de serem ambos imortais, pois que sentido faria um ser, criador de todo o universo, ser mortal?

                        Eu creio que a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, está cheia de mensagens que só poderão ser entendidas mais adiante. E muitos outros livros também. Que há mais coisa entre o Céu e a Terra do que pode sonhar a vã filosofia humana está bem claro.

                        Vitória, quinta-feira, 23 de maio de 2002.

                  

Uma Tríade Fundamental (da série Expresso 222..., Livro 2)


Uma Tríade Fundamental

 

                        No seu formidável livro O Universo Elegante (supercordas, dimensões ocultas e a busca da teoria definitiva), São Paulo, Cia. Das Letras, 2001, Brian Greene diz, na página 196: “(...) as partículas da natureza têm de acontecer em pares, cujos respectivos spins diferem em meia unidade. Tais pares de partículas – quer sejam considerados como pontos (tal qual no modelo-padrão), quer como mínimos laços vibrantes – são chamados superparceiros”, itálicos no original.

                        E, mais abaixo: “Em meados daquela década, quando os físicos tentaram incorporar a super-simetria ao modelo-padrão, verificaram que nenhuma das partículas conhecidas – as das tabelas 1.1 e 1.2 – podia ser superparceira de qualquer uma das outras. Em vez disso, análises teóricas específicas mostraram que se for verdade que o universo incorpora a supersimetria, então cada uma das partículas conhecidas deve ter uma partícula superparceira ainda não descoberta, cujo spin é meia unidade menor do que o da partícula conhecida”, idem, grifo e negrito meus.

                        Bom, o modelo pede que haja esquerda e direita, por exemplo, MATÉRIA e ENERGIA, no centro estando a MATERENERGIA, formando uma tríade, com três motores verdadeiros e independentes. No caso do átomo teríamos PRÓTON = MATÉRIA, ELÉTRON = ENERGIA e NÊUTRON = MATERENERGIA. Os três são uma a mesma coisa. O nêutron deve ser, como é, a união de PRÓTON + ELÉTRON. O primeiro equivale à matéria, ao campo, ao estático e ao grande; o segundo à energia, à partícula, ao dinâmico e ao pequeno. O nêutron seria a materenergia, o campartícula (ou onda), o mecânico (ou estático-dinâmico) – a destruição dele traria os dois elementos extremos, um parado e outro excitado. O próton seria o elétron expandido, e o elétron seria o próton colapsado. Então estas seriam as partículas SUPERPARCEIRAS da eletricidade, formando uma tríade. Têm sinais elétricos contrários, anulando-se no nêutron. Resta ver se possuem spins ½ um do outro.

                        A ser assim, cada uma das outras forças fundamentais (que os físicos dizem ser: a força gravitacional, a força eletromagnética, a força fraca e a força forte) teria também uma tríade matéria (ou campo) /materenergia (ou onda ou campartícula) /energia (ou partícula). Digamos, matéria/campo gravitacional, materenergia/onda/campartícula gravitacional e energia/partícula gravitacional.

                        Desse modo, as superparceiras NÃO DEVERIAM SER DESCOBERTAS exatamente porque ELAS JÁ EXISTEM, bem nas nossas caras, debaixo de nossas barbas. Sempre estiveram aí, só não as víamos. Desse jeito cada partícula seria a superparceira do seu campo, e vice-versa, as duas constituindo um par polar oposto/complementar materenergia ou campartícula ou onda. Quando um elétron “se abre”, transforma-se num próton; quando este “se fecha” torna-se muito dinâmico e veloz. O elétron é o portador da energia do átomo, o que leva mensagens ou informações ao ambiente material.

                        Tão simples quanto isto.

                        Vitória, segunda-feira, 29 de abril de 2002.

Um Modelo para os Morros (da série Expresso 222..., Livro 2)


Um Modelo para os Morros

 

                        Escrevi e entreguei ou protocolei alguns artigos e textos a e para Luis Paulo Veloso Lucas, atual prefeito de Vitória, um deles falando dessa renov/ação, o ato permanente de re-novar os morros. No Brasil os morros são lugares de invasão, aonde pobres e miseráveis iam e vão morar. Mais recentemente têm aparecido casas boas, sobrados, prédios até. A coisa vem mudando lentamente e a dialética diz que no oposto do ciclo serão os ricos e os médios-altos que morarão lá.

                        Enquanto esse tempo não chega, é preciso olhar os atuais moradores com desvelo, com o máximo de atenção.

                        Pouco imaginativas que são, as pessoas em geral só olham para o futuro como se esse fosse uma repetição do passado, e daí não dão valor tão grande a ele. Se fôssemos trabalhar pelo ano de 1852 daríamos tanto de nós? A humanidade era pobre, como um todo, em relação a 2002. Por outro lado, se víssemos o futuro de 150 anos depois de agoraqui, certamente colocaríamos grande empenho na coisa, dando incomparavelmente mais de nós.

                        A mediocridade reina e impera, de modo que as pessoas quase todas não projetam que daqui a 150 anos, em 2152, o mundo estará não só muito mudado, o que é aceito, como muito maior. Devemos trabalhar para transformar este mundo simples e pobre de agora no mundo complexo e rico de depois.

                        E isso se fará com grandes projetos, com estupendas construções de toda espécie, com arrojo e determinação, com audácia para aceitar as novas idéias, com dignidade para aceitar a liberdade e o crescimento e desenvolvimento (sustentável) dos outros, com mudanças de rumo, com alterações comportamentais, com novas visões de mundo.

                        Não adianta manter o Brasil dividido em dois, um dos que têm quase tudo, e outro dos despossuídos, que não tem quase nada.

                        É do maior interesse de todos a abertura rumo à igualdade geral e de oportunidades assimétricas, dando mais a quem menos tem, seja riqueza, seja capacidade de fazer – o que também não pode decair para doações sem retorno, ou seja, esmolas, que viciam o cidadão, como dizia Gonzagão.

                        Neste sentido um projeto para os morros pode ser visto como algo de verdadeiramente gigantesco, com a participação dos tecnartistas todos, em especial dos arquiengenheiros e dos urbanistas, e de todos os ramos do Conhecimento. Algo para um horizonte curtíssimo de cinco, curto de 10, médio de 20, largo de 40 e larguíssimo de 80 anos.

                        Algo para mudar mesmo o Brasil, a começar do ES.

                        Será que ninguém vai ter grandeza de começar isso?

                        Por coincidência ou não, o citado prefeito construiu várias casas grandes em alguns morros (mas não assumiu as sugestões).

                        Vitória, quarta-feira, 15 de maio de 2002.

TV da TV (da série Expresso 222..., Livro 2)


TV da TV

 

                               Nós vemos na mídia restante (Rádio, Revista, Jornal, Livro, Internet) matérias ou páginas diversificadas sobre a mídia (conjunto de meios), digamos Jornal da TV. Mas é coisa esparsa, diluída, não-racional, não-dirigida, sem objetivo totalizante, sem capacidade de leitura de todo o cenário.

                               Olhando a amplidão, no geral, poderíamos ter:

·         jornal da TV, jornal da Rádio, jornal da Revista, jornal do Jornal, jornal do Livro (compreendido como editoria e como conjunto dos objetos portadores), jornal da Internet (em maiúsculas conjunto ou família ou grupo de revistas);

·         rádio da TV, rádio da Rádio, rádio da Revista, rádio do Jornal, rádio do Livro, rádio da Internet;

·         revista da TV, revista da Rádio, revista do Jornal, revista do Livro e revista da Internet;

·         livro da TV, livro da Rádio, livro da Revista, livro do Jornal, livro do Livro, livro da Internet;

·         Internet da TV, Internet da Rádio, Internet da Revista, Internet do Jornal, Internet do Livro e Internet da Internet.

·         TV da TV, TV da Rádio, TV da Revista, TV do Jornal, TV do Livro e TV da Internet.

Fiz questão de listar as 36 possibilidades porque é muito importante, como veremos.

TV da TV, por exemplo, seria um canal dedicado EXCLUSIVAMENTE às Tevês, no genérico nos ambientes: municipais/urbanos, estaduais, nacionais e até mundiais (só a CNN é deste tipo, por enquanto). Quanto às pessoas: empresariais, grupais, familiares e até individuais, porque com as facilidades de agoraqui, famílias podem montar, de brincadeira ou não, emissoras.

A TV da TV pode avaliar os programas, os apresentadores de telejornais, as redes de TV e seu poderio, a criação das novelas, as origens da TV no mundo e no Brasil, as Tevês abertas e fechadas e seus custos internos e externos, a localização das emissoras, como elas são liberadas e para quem e com que favores de parte a parte, os públicos estimados, os ganhos com propaganda -- um milhão de perguntas e respostas. O povo e as elites, naturalmente, estão doidos para saber do evidente e do oculto. Enfim, uma fonte de grande riqueza, porque hoje em dia já existem milhares de emissoras no mundo inteiro.

E olhe que esta é uma de 36 possibilidades.

A TV da TV poderia explorar o que estariam, nas nações, fazendo as rádios da Rádio. Por sua vez a rádio da Rádio iria explorar os assuntos pertinentes, postas as diferenças: programas, entrevistas, a linha políticadministrativa dos proprietários (públicos ou privados), a centralização das programações sob a Curva de Gauss (curva do sino). A TV da TV, voltada para a Rádio da Rádio, iria tratar de investigar como TV e Rádio se influenciam mutuamente, como a Rádio pode dar indicações à TV e vice-versa, a interpenetração dos profissionais de umas e de outras.

E teríamos:

·         TV da RaRa, TV da ReRe, TV do JJ, TV do LL, TV da II;

·         E segue-se o resto, também 36 possibilidades.

Em resumo, uma investigação cruzada devassando todas as possibilidades, até o esgotamento. A Mídia mundial é TÃO IMPORTANTE, fundamental, que é do maior interesse de todos tal busca.

O público seria imediatamente os que fazem a Mídia geral, os profissionais e proprietários, mas também professores e estudantes. Depois os curiosos e a seguir a população em geral.

Quando alguém puder arcar com as despesas isso dará rios amazônicos de dinheiro (e poder, está na cara).

Vitória, sábado, 04 de maio de 2002.

Transparência Racional (da série Expresso 222..., Livro 2)


Transparência Racional


 

                        No livro de Leandro Konder, O Que é Dialética, São Paulo, Abril Cultural/Brasiliense, 1985, Coleção Primeiros Passos, p.6, ele coloca uma citação de Sartre, da Crítica da Razão Dialética, de que selecionei esta parte: “No curso da ação, o indivíduo descobre a dialética como transparência racional, enquanto ele a faz, e como necessidade absoluta enquanto ela lhe escapa, quer dizer, simplesmente, enquanto os outros a fazem”, grifo e negrito meus.

                        No modelo coloquei a lógica como dialética monal ou direta, e a dialética como lógica dual, ou de relações. Na língua cognata LÓGICA = DIALÉTICA, e não vou explicar porque, vá ler. São a mesma coisa.

                        Porém podemos pensar que uma seja do lado dos sentimentos, a lógica, instintiva, de campo, enquanto a outra esteja do lado da razão, a dialética, racional, de partículas.

                        Por ser de relações é por excelência científica e técnica. Contudo, é rejeitada por ambas, escarnecida e deplorada, por ter sido objeto de debates medievais, e desde a Grécia antiga.

                        De fato a dialética foi inventada pelos gregos antigos, enquanto na China o taoísmo produzia autonomamente sua versão. A dialética é o taoísmo ocidental e o taoísmo é a dialética oriental, esta voltada para os sentimentos, aquela para a razão. Enquanto o taoísmo prosperou por dois mil e quinhentos anos, a dialética teve idas e vindas, em círculos, sendo finalmente desaconselhada para menores.

                        Hegel (filósofo alemão, 1770-1831, 61 anos entre datas) renovou a dialética, no que foi seguido de Engels (filósofo alemão, 1820-1895, 75 anos entre datas). Este último consagrou os princípios do primeiro, as três leis da dialética, às quais Trotski somou uma e eu ajuntei dois corolários, de que já falei, e dos quais falarei, tendo tempo, num texto próprio.

                        Desde então a dialética não foi acrescida pelos filósofos, e foi rejeitada com vigor pelos cientistas, como fonte de bizantinismos, o que está longe de ser, pelo contrário. Deverá ser o instrumento final de libertação das trevas nas quais adormeceu a consciência.

                        Em que medida, como disse Sartre, a dialética leva à TRANSPARÊNCIA RACIONAL? E o que viria a ser ela?

                        No dicionário agregado ao Windows e no Michaelis posto na máquina transparência é claridade, cristalinidade, limpidez, que por sua vez significam brilho, fulgor, lucidez, luz, nitidez, resplendor, magnificência, cintilância, resplandecência. Poderíamos investigar muito tempo.

                        Segue-se que é:

·         brilho racional,

·         fulgor racional,

·         lucidez racional,

·         luz racional,

·         nitidez racional,

·         resplendor racional,

·         magnificência racional,

·         cintilância racional,

·         resplandecência racional,

·         claridade racional.

·         cristalinidade racional,

·         limpidez racional, e outras conformações.

A razão deve ficar limpa, portanto, de toda nódoa, de toda dificuldade de pensar, de relacionar os elementos dois a dois, criando conceitos cada vez mais elevados, à maneira kantiana, do simples para o complexo, com segurança crescente, no final com total segurança.

A razão deve ser transparente.

Sem obstáculo, sem dificuldade, sem travamento, rompendo com facilidade os estorvos do caminho. Resolvendo os problemas, obtendo em prazo mínimo as soluções mais efetivas, de máximo rendimento.

A dialética tecnocientífica não deve matar suas congêneres predecessoras, a saber, as dialéticas magicartística, teo-religiosa e filo-ideológica, pelo contrário, deve resgatá-las de sua baixa qualidade na produção de conceitos e de sua baixa produção quantitativa. Deve dar-lhes sustentação e nova delineação de objetivos, tornando-as seguras para seus propósitos específicos. Arrancando-as de sua timidez e debilidade instrumental.

Isso significaria a transparência da razão.

Ora, essa cristalina qualidade depende de colocar dois conceitos em adequada relação ou afinidade, o que está sujeito, por outro lado, à felicidade na definição dialética dos conceitos, na correção das ligações.

O que vemos hoje é que cada um define as coisas a seu modo.

Embora haja um conhecimento internacional, digamos tecnocientífico, não há reuniões para definir corretamente as palavras e os conceitos, como aplicáveis a cada nível do Conhecimento geral. Alguém proclama a definição e ela é aceita ou não com base na autoridade, a mesma que é rejeitada desde Galileu e Descartes.

Não há questionamento das palavras, conceitos e definições. Não há rejeição aberta, só queda em desuso. Se isto e aquilo devem desta ou daquela forma ser aceito pela maioria, por quê palavras, conceitos e definições são aceitas sem maiores preocupações?

A transparência racional pressupõe a transparência das palavras, dos conceitos e das definições.  SE estas não são as mais perfeitas de cada época, como esperar obter os melhores resultados dos pensamentos que relacionam os objetos? SE os instrumentos não são bons, como o será seu uso?

Se os cientistas não estão usando a dialética, é como disse Sartre, ela não é para eles fator de transparência, é só necessidade absoluta, inadiável, o que nos fala do orgulho, de todo tipo de orgulho, mas especificamente o tecnocientífico, como pernóstico, petulante, insolente, atrevido, inculto, desafinado do melhor sentido e direção. É uma flecha torta, num arco mal construído, sem alvo definido.

Com algo assim, não admira que a Tecnociência produza pouco, para tanta necessidade de todos os seres humanos. No máximo ela resolve alguns problemas medíocres postos pelas elites segregadoras, e se acha o fino da bossa por isso.

Vitória, segunda-feira, 20 de maio de 2002.

Quem Manda no ES? (da série Expresso 222..., Livro 2)


Quem Manda no ES?

 

                        Lá por volta de 1975 Sebastião de Oliveira (filho de Maurício de  Oliveira), o Tião e eu debatíamos quem mandava no ES. Concordamos então que seriam umas vinte famílias. Passadas quase três décadas os figurantes mudaram um pouco, mas a quantidade deve seguir mais ou menos a mesma.

                        Devido ao fechamento para as preciosas e ocultas Minas Gerais, o Espírito Santo só foi mesmo aberto em 1975, com a inauguração completa da BR 101. Até então agradecíamos ao Rio de Janeiro sermos aceitos como província daquela metrópole.

                        Com a vinda das grandes empresas, no governo de Arthur Carlos Gerhardt Santos, fiquei imaginando como aquelas famílias e grupos econômicos/sociais seriam deslocados pelos recém-chegados. É claro que houve um acordo, com delimitação de áreas, aparecendo algumas e desaparecendo outras famílias, mas o estado continua dependente e sem identidade própria.

                        Continua província.

                        A diferença que há, com relação a mim, é que elaborei o modelo e posso enquadrar tudo mais largamente.

                        Por exemplo, a Psicologia do ES: quem são as figuras mandantes, que objetivos são tidos como fundamentais pelas classes tenentes, qual é a produção/economia aceita como relevante, que organização/sociologia é acolhida como proeminente, que geo-história é a oficial? E o Conhecimento do ES: Magia/Arte, Teologia/Religião, Filosofia/Ideologia, Ciência/Técnica e Matemática - quem o conduz? A seguir perguntemos do Governempresa do ES: quem manda no Estado-governo e quem dirige as empresas?      Especialmente, em poder de quem está a Economia do ES: a agricultura/extrativismo, as indústrias, o comércio, os serviços e os bancos? E a Tecnarte do ES: da visão (pintura, prosa, poesia, moda, dança, fotografia, desenho, etc.); da audição (música, discurso, etc.); do paladar (comidas, bebidas, pastas, temperos, etc.); do olfato (perfumaria, etc.); do tato, sentido central (cinema, teatro, esculturação, tapeçaria, urbanismo, paisagismo/jardinagem, decoração, arquiengenharia, etc.)?

                        A resposta é que, como sempre, em poder das mesmas famílias, com raras penetrações dos “adventícios”, dos estranhos, dos forasteiros, dos estrangeiros, digamos os imigrantes que vieram primeiro, há 150 anos ou mais, e os que vieram depois, desde 120 anos atrás. Os pretos nem pensar, são raríssimas as exceções. Entretanto eles já estão aqui há séculos.

                        Não creio que exista um estado mais fechado que este.

                        No mundo devem ser poucos, se é que existem, os lugares em que a liberdade de ascensão seja mais rigidamente controlada e obstada que aqui. Só, talvez, na Índia, com o nojento sistema de castas de lá.

                        O crescimento que é permitido é o absoluto, quantitativo, ou seja, a multiplicação das condições de vida: ter mais um televisor, adquirir um carro, comprar uma casa.

                        O crescimento qualitativo, relativo, de poder orientar as formas de desenvolvimento, o modo de pensar, a visão de mundo, tudo que signifique políticadministração dos rumos do porvir, isso está completamente fora de cogitação, é inteiramente vedado, fechado, cerrado, tapado, proibido, reprimido, interdito.

                        Aconteceu que, em três décadas, a coisa toda só foi refinada. Ainda existe um monopólio (sequer oligopólio) de fundo português, uma conspiração silenciosa, como aquela que Max Weber denunciou nos EUA.

                        Tudo que, minimamente, possa desviar os rumos definidos ou deliberados é prontamente recusado e abafado.

                        Vitória, segunda-feira, 13 de maio de 2002.

Provão dos Governos (da série Expresso 222..., Livro 2)


Provão dos Governos

 

                        Desde alguns anos, muito acertadamente, o ministro da educação do governo federal de FHC, Paulo Renato, instituiu o Provão, uma prova a ser feita em todo o país pelos universitários, para garantir um ensino de qualidade mínima, com notas qualitativas A, B, C e D, junto com o ENEN, Exame Nacional do Ensino médio.

                        Parte dos estudantes ficou inicialmente contra, mas agora a coisa é em geral aceita.

                        Precisávamos disso, para garantir que a brotação (tipo cogumelos depois da chuva) das faculdades particulares interessadas principalmente no lucro tivesse algum freio, e um tipo de resguardo, um anteparo a essa liberdade quase irrestrita, verdadeira licenciosidade que estava se espalhando, mercê da ganância de empresários-“educadores”.

                        Agora os pais e os alunos sabem, pelas notas, que faculdades são consideradas melhores segundo um critério objetivo.

                        Isso foi uma prova de amadurecimento dos governos, que impôs um limite sério, e das faculdades, agora correndo dentro da raia delimitada, devendo responder à coletividade com renovado esforço organizador e produtivo.

                        No final das contas foi melhor para todos.

                        Porque, agora, uma faculdade Univix de arquitetura em Vitória pode custar R$ 625,00 por mês, 12 meses = 7.500 por ano – em cinco anos 37,5 mil, fora os livros e o resto dos gastos. Uma de mecatrônica na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Minas Gerais pode ficar em R$ 730,00 por mês = 8.760 por ano – em cinco anos 43,8 mil. Não é qualquer um que pode pagar, e os pais e mães devem fazer um grande esforço. Em conjunto pais e mães, e alunos, estão não só servindo a si mesmos, garantindo o chamado “futuro melhor” (ou seja, a superacumulação via mais valia), como também à coletividade, gerando um trabalhador mais capacitado, mais gabaritado, especializado num nível mais alto.

                        Muito bom.

                        Aqui nos viramos para o título.

                        Como disse um dos meus irmãos, José Anísio, o governo é excelente patrão dos empregados dos outros.

                        E quando se trata dele mesmo?

                        Por exemplo, José Ignácio Ferreira, atual (2002) governador do ES, entrou retendo 20 % dos vencimentos do Executivo. Depois começou, por pressão dos funcionários e determinação da Justiça, a devolver em 36 meses sem juros nem correção monetária. Os salários, que o executivo federal paga logo no início do mês, do mesmo modo que as empresas são obrigadas a fazer, os funcionários estaduais capixabas recebem “rigorosamente em sai” (digo que é “rigorosamente em algum dia”), segundo a propaganda governamental de 15 a 20 do mês seguinte ao trabalhado. Depois ele começou a atrasar em relação à sua própria mentira, pagando março dia 24 de abril. As parcelas a serem devolvidas, que eram depositadas dia 28 do mês seguinte, passaram a 05 do outro mês, e por último nem isso.

                        Os conjuntos pessoais são: indivíduos, famílias, grupos e empresas. Os conjuntos ambientais são: municípios/cidades, estados, nações e mundo. Os segundos impõem demarcações aos primeiros, uma quantidade grande de regras a obedecer, uma infinidade de leis mais ou menos duras.

                        E quanto ao contrário, de as pessoas imporem balizas aos ambientes? No Brasil são 5,5 mil municípios/cidades, 26 estados e o distrito federal, e a nação. No mundo são cerca de 220 nações. Claro que há alguma vigilância. Por suposição os três poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes, e vigiam-se mutuamente. O Legislativo tem o Tribunal de Contas (federal e estadual, não há municipal, porque não há juizado municipal), mas este quase nunca pega “à vera” mesmo os meliantes, os traidores do patrimônio público, os bandidos de colarinho branco, os burocratas que saem do prumo. Isso basta? Nós sabemos que eles se perdoam mutuamente, numa rede de favores pavorosa.

                        Não há um PROVÃO DOS GOVERNOS.

                        Digamos, os governos mundiais poderiam submeter os governos nacionais a testes bem duros, através da ONU. Os nacionais, através do Congresso, aos estados e ao DF, bem como aos municípios/cidades, com um formulário padrão conhecido, de uma centena de quesitos, cujos resultados seriam divulgados na mídia.

                        Não basta a vigilância governamental.

                        Há de fazer-se com conhecimento público, manifestado os resultados através da imprensa, para que as pessoas possam avaliar a fundo quais governantes, políticos e juizes (como o Governo geral é tríplice, a avaliação também deve sê-lo) estão cumprindo com seus deveres com lealdade e rigor.

                        Afinal de contas eles estão sendo muito bem pagos, alguns juizes ganhando R$ 16 mil por mês (são 13,33 salários por ano, chegando a 213 mil anuais). Não é barato, quando 70 % do povo brasileiro ganham menos de 400 reais mensais.

Todos os funcionários devem ser fiscalizados, inclusive os fiscais, minha categoria (mais que qualquer uma).

Vitória, segunda-feira, 06 de maio de 2002.