Batendo nos Pequenos
No supermercado o pai dizia ao
filho:
- Tá bem, vou comprar o carrinho de
plástico, mas se você quebrar vou rebentar você.
Em vista disso o governo contratou
pessoas de 2,10 m para cima, até 2,50 m para ensinar a pais e mães, a irmãos e
irmãs mais velhas, tios e tias, a maridos e esposas algumas verdades sobre
bater.
Quando essa pessoa acima bateu com
seu carro, foi chamada para um corretivo.
A
ELEVADA DIMENSÃO DOS PROFESSORES E PROFESSORAS
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Toda pessoa que sabidamente batia em
outra era convidada a essa sala de aprendizado, aonde ia conhecer as “verdades
da vida”: apanhava igual a gente grande. Ou o gigante colocava no colo, baixava
as calças ou a saia e sentava tapões ou dava socos ou o que fosse, como aquele
ou aquela fazia com outros. Se pai batia de tala filho, apanhava de tala; se
colocava ajoelhado no caroço, ajoelhava do caroço.
Alguns religiosos se insurgiram
contra essa política do “olho por olho, dente por dente”, a chamada Lei de
Talião que havia sido banida por Cristo e do Ocidente séculos antes. Covardia,
gritavam uns com cartazes nas ruas, ao passo que outros apoiavam também com
cartazes e gritarias – quase saíram na porrada.
- Bater em crianças pode?
- E revidar em adultos?
Então se sentaram as partes e
combinaram banir todas as violências, tal como deveria ser realmente. O governo
retiraria seu instrumental corretivo por moratória, período de vigilância da
eficácia do acordo, enquanto os violentadores seriam denunciados por vizinhos
abertamente, com proteção policial e do juizado supremo, diretamente envolvido.
O fato foi que pais e mães, e todos
os outros se sentiram pequenos e violentados diante dos gigantes. Meditaram
sobre a lição e pensaram nas possibilidades, colocando-se no lugar das
crianças, dos velhos, dos desvalidos mendigos, dos doentes, de todos que
sofriam “violência doméstica”, inclusive cães e outros animais. No caso desses,
a pessoa era abandonada nas ruas e não podia voltar para casa, sendo
escorraçada.
Achei um pouco abusivo por parte do
governo, mas produziu resultados, pelo menos isso.
Fiquei dividido.
É errado o governo intervir na
liberdade, mas é MUITO MAIS errado as pessoas socarem os outros.
Serra, quinta-feira, 05 de julho de
2012.
José Augusto Gava.




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