Saturday, October 05, 2013

Todos que Deixei para Trás Quando Morri (da série Já que Conto)

Todos que Deixei Para Trás Quando Morri


Sinto tantas saudades!
Fico pensando naqueles que deixei para trás e o meu coração etéreo se confrange de tanta angústia de não tê-los comigo.
Fico amargurada. Aqui dizem que a gente tem de se desprender, que aqueles com os quais convivemos devem seguir sozinhos, mesmo se com outros, mas que vou fazer, é um defeito meu, sinto saudades, especialmente de alguns que me eram mais caros, por exemplo, aqueles cristais que compramos em Paris em 1962.
E o tapete persa, então?
Meu Deus do Céu, que saudades.
E minhas louças, Jesus? E meu Vaso Ming?

OS OBJETOS DA MINHA AFEIÇÃO

Essa aí no fundo sou eu, bem mais nova, claro.
As bonecas africanas, isso dói!
Vai dizer que é fácil?
Ai, minhas louças...

Pode ser que você possa ver os seus sem se emocionar, sem sentir que faz falta, mas eu não, sinto falta dos meus, que se vai fazer? Cada um é de um jeito. Dizer que posso desapegar é fácil, quero ver fazer. Falar é fácil, fazer é que é difícil. Sinto falta dos que deixei para trás, uma vida inteira acumulando para no final me serem tirados, isso sim é crueldade.
Serra, domingo, 30 de setembro de 2012.
José Augusto Gava.

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