Sunday, October 20, 2013

Velo-Cidade (da série Conto Ainda Mais)


Velo-Cidade

 

Nesse mundo em que as tartarugas eram os racionais dominantes - pela graça da Grande Tartaruga que nos primórdios criara o mundo a partir das águas e dissera Nadai e Proliferai -, elas tinham uma complexa cosmogênese mitológica que levara ao desenvolvimento da tecnociência e matemática da Hidrocriação (o que está estampado no livro A Bolha Inflacionária dos Três Primeiros Anos).

A TARTARUGA-MUNDO

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYbugrA-fYIyJ-dTHmedHx1N_C01HmVXkZuRvv5mpuzeU4KhtRbVhMAPNXHJtamnl1HXqfUDFfZBwRkZYl1S4fSBgB0VVbm2x0jk0851mEAnmNeNWpowrCpnsGZ4Xqq0ogHAKp/s1600/mundosobretartaruga.jpg

Claro, as tartarugas emergiram do mar e passaram à terra, onde desenvolveram pés minúsculos (segundo uma teoria vigente, eram umas cobras escamadas marinhas).

Felizmente - pela graça da Grande Tartaruga - elas sempre foram calmas portadora do Wuvei reptiliano.

TAO E QUAO

TAORTARUGA
O TAO escrito no casco de uma tartaruga.
WUVEI DO T
OS QUATRO PILARES DO MUNDO
A GRANDE TARTARUGA

É bem sabido (existem uns bobocas contestadores que dizem que nunca foi vista a Grande Tartaruga. O que podemos dizer? Também nunca vimos a inteligência. Nem o ar) que a Grande Tartaruga sustenta sobre seu casco o Oco do Mundo, a Carapaça do Mundo.

Nos Achamentos, quando Tartalhães deu a volta ao mundo, ficou provado que o mundo é redondo e flutua na casca deixada para trás pela Grande Tartaruga, mas esse é outro assunto, muito complexo e de sutil interpretação pelos sábios, não vamos abordá-lo.

A pergunta de hoje é se podemos chegar a altas velocidades. Se a Grande Tartaruga quisesse que chegássemos a essas velocidades altíssimas teria nos dado pernas compridas. Os audaciosos falam em chegar a 20 km/h nos automoventes mais rápidos e alguns sonhadores falam até em trens correndo a 60 ou 70 km/h, quando tudo, como já ficou sobejamente provado, se despedaçaria, as moléculas se desagregando.

E a pergunta que não quer calar, classe, é: vale a pena?

Que tipo de vida haveria na Terrataruga?

Não precisa responder, classe.

Seria um absurdo!

Toda a nossa calma se evaporaria. Vocês podem imaginar uma mundo no qual as pessoas vivessem correndo para lá e para cá a altas velocidades? Qual o objetivo de abandonar nossa calma característica? Conseguiríamos apreciar o universo? Pessoas assim nasceriam, viveriam e morreriam sem observar a obra da Grande Tartaruga.

Pois bem, o exercício para casa (entregar daqui a dois meses) é justamente tentar pensar isso, valendo seis pontos na nota final. Vamos criar, gente, tirem as cabeças das carapaças.

Serra, terça-feira, 10 de julho de 2012.

José Augusto Gava.

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