Tuesday, October 08, 2013

Eu que Pisava os Esqueletos do Cemitério (da série Tanto Conto)

Eu que Pisava os Esqueletos no Cemitério

Andando na areia da praia vi todas aquelas partes de antigos moluscos do mar, pedaços das conchas bivalves, e fiquei pensando no Céu das Conchas, porque seguramente i Deus-Natureza deve resguardar os fungos, as plantas, os animais e os primatas segundo seus dons no platônico Banco das Ideias.
O ARMAZENAMENTO DE TODAS AS IDEIAS NO BANCO DE DADOS DE DEUS (banco de ideias de Platão: como sempre há bandidos roubando, inclusive patentes)

BANCONCHAS

Estimando (com a ajuda da Internet) em 1,5 milhões de km o cumprimento das praias do mundo (de fato, os continentes são ilhas maiores ou menores), se contarmos apenas dez metros de areia serão 15 mil km2 de área, com 10 cm de espessura podem ser no total 150 km3 de areia com restos verdadeiramente incontáveis. Bilhões e bilhões, centenas de bilhões, trilhões de esqueletos, que sei eu?, alguém deveria estimar. O mar é lar extraordinário para essas criaturas que são enterradas no Cemitério das Conchas, o mais extenso que há.
AS CONCHAS QUANDO VIVAS
Cardápio dos golfinhos.

Será que lá do Céu das Conchas elas olham para nós e nos imputam pecados, tanto por pisar seus esqueletos (externos, porisso são chamados de exoesqueletos) quanto por não ter consideração por sua beleza?
Pode ser.
O ser humano não é notável por considerar e tratar bem quaisquer criaturas, mesmo outros humanos (tantos homicídios, roubos, furtos, espancamentos, prisões, maus-tratos, judiações atestam nossa infantilidade malsã). Pelo contrário, nossa espécie é displicente, displigente, não valoriza mesmo nada.
Serra, quinta-feira, 13 de setembro de 2012.
José Augusto Gava.

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